Opinião: “Os Arquitetos de Viagens” (2)
Segunda parte do tema dedicado ao 50º Congresso da APAVT – Associação Portuguesa de Viagens e Turismo, que recentemente se realizou em Macau, de 1 a 5 de dezembro, para ser mais exato, relembrando assim os nossos leitores a quem me pretendo referir com o título deste artigo. Sim, refiro-me a todos os profissionais desta área, que bem merecem esta referência e cujo autor identifiquei no artigo anterior. Ainda que um epíteto simbólico, este é inspirado no trabalho real dos agentes de viagens, o serviço prestado aos respetivos clientes naquilo que é sua missão principal: desenhar, planear, estruturar e acompanhar todo o percurso de uma viagem, garantindo que cada detalhe da mesma contribui para uma experiência sólida, segura e memorável.
Este foi o evento, momento com certeza adequado, para o presidente cessante (após cerca de 15 anos no cargo), Pedro Costa Ferreira, defender a criação do Dia Nacional do Agente de Viagens, agora a nível oficial/governamental, dado que a APAVT, com os seus associados, já instituiu e comemora esta efeméride desde 2024 (30 de maio). Pelo que se ouviu do Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro, Machado, esta ideia ganha força institucional, o que não deixa de ser um ato de elementar justiça dado o contributo das agências de viagens e respetivos profissionais para o desenvolvimento do setor do Turismo no nosso país.
Pedro Costa Ferreira foi ele próprio alvo de várias referências elogiosas e diversas homenagens ao longo do congresso, notando-se a satisfação dos empresários presentes pelo trabalho realizado por este presidente e suas equipas diretivas ao longo dos sucessivos mandatos.
Retive ainda uma outra referência do presidente da APAVT no seu discurso inicial, referência essa em jeito de crítica e que se focou na pouca atenção que o setor da Cultura dá ao Turismo, parecendo-me a crítica dirigida à tutela das políticas culturais, como não valorizando as dinâmicas do mercado turístico para as mesmas. Não pude deixar de me sentir surpreendido com estas revelações, sabendo nós a relação intrínseca que há entre estas duas áreas de atividade, sendo o setor do Turismo tão transversal e que tantos outros setores impacta. Talvez algo mal resolvido entre instituições, entre administração pública e privados, ou mesmo alguma situação a esclarecer e a trabalhar melhor entre tutelas. Em termos concretos, se pensarmos na gestão, por exemplo, dos horários dos museus e os interesses dos visitantes, se calhar podemos concluir que, de facto, há aqui matéria para reflexão…
Outras reflexões ficaram já marcadas para o 51º Congresso da APAVT, que no final de 2026 se realizará em Marraquexe (Marrocos), pelo que este congresso do turismo português segue agora caminho para África.
Entretanto, aproveitemos nós também mais este ciclo que o novo ano nos abre para desfrutar de um dos mais gratificantes prazeres da vida, de preferência acompanhados: Viajar!

