opiniao

Opinião: “Ódio sem fim à vista”

19 de setembro de 2025 às 17 h05
0 comentário(s)

O ódio é um incêndio que parece não ter fim. No passado dia 10, o jovem Charlie Kirk foi assassinado enquanto discursava numa universidade dos Estados Unidos da América. O atirador foi detido e já foi anunciado que vai ser pedida a pena de morte, alegando-se que houve motivação política, na medida em que Charlie Kirk era politicamente activo, fundador de uma organização conservadora de nome Turning Point USA.

Como se não bastasse uma pessoa ter morrido e outra provavelmente condenada à pena de morte, a política entrou em cena, com membros do Partido Republicano a culparem os intolerantes de esquerda (democratas e outros) e a exigirem medidas, tanto que se andou a vasculhar quem “celebrou” a morte de Charlie Kirk. A reacção foi serem acusados de usar o assassinato como pretexto para silenciar a oposição política. É o ódio em cascata.

Uma das pessoas que comentou o sucedido foi o comediante Jimmy Kimmel. Este apresentador do programa que usa o seu nome desde 2003, disse que “muitos na terra do MAGA estão a trabalhar muito para capitalizar sobre o assassinato de Charlie Kirk”. Kimmel também sugeriu que o suposto assassino de Kirk, Tyler Robinson, poderia ser um republicano pró-Trump, afirmando que “A gangue MAGA (está) a tentar desesperadamente caracterizar este miúdo que assassinou Charlie Kirk como qualquer coisa que não seja um dos seus e a fazer tudo o que pode para ganhar pontos políticos com isso”.

Jimmy Kimmel foi imediatamente silenciado, com a estação televisiva ABC a anunciar a suspensão por tempo indeterminado do seu programa. O presidente do grupo (Nexstar) dono da ABC (a verdadeira dona é a Disney), responsável pela área de negócio, afirmou que os comentários de Kimmel sobre a morte de Kirk “são ofensivos e insensíveis num momento crítico do nosso discurso político nacional”. O presidente da Autoridade para a Comunicação Social norte-americana, Brendan Carr, classificou os comentários de Kimmel como «verdadeiramente doentios». O próprio presidente Donald Trump comemorou a decisão da ABC na rede social Truth Social, escrevendo: «Parabéns à ABC por finalmente ter tido a coragem de fazer o que precisava ser feito.»

Ninguém consegue ficar calado! Já foi afirmado que o jovem de 22 anos cresceu numa família conservadora no sul do Utah, mas que, entretanto, deixou-se envolver pela «ideologia esquerdista». Os seus próprios pais disseram às autoridades que ele se tornou politicamente de esquerda e pró-direitos LGBTQ neste último ano, que o seu estatuto de eleitor está inactivo (o que significa que não votou em duas eleições gerais regulares), e ainda que terá dito ao seu parceiro transgénero que terá escolhido Kirk como alvo porque «estava farto do seu ódio». Será que algum dia alguém odiará o ódio?

Texto de:Paulo Almeida

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Últimas

opiniao