Opinião: O Assalto
No sábado passado fui a um evento académico no TAGV. A IV edição do Maria da Fonte, festival de tunas femininas organizado pela Estudantina Feminina de Coimbra (com um tema comemorativo dos 50 anos do 25 de Abril e da afirmação feminina, gostei – sim, a minha sobrinha esteve envolvida, mas não é por isso…).
Ora, desvio-me: no final fui matar saudades e beber um fino no Jardim da AAC. Há anos que não ia ao Jardim da AAC. Espanto, vergonha e irritação, o jardim está transformado num parque de estacionamento. A relva em falta, umas tentativas de colocar estacas com cordas para impedir, mas com as cordas cortadas. Carros muito bem estacionados, por todo o relvado, ou antigo relvado, pois já não resta muito…
Não é caso único: no Parque Verde, na margem esquerda, onde está o Exploratório, a Piscina de ar livre e o restaurante, toda essa zona, da piscina e restaurante, foi transformada num parque de estacionamento, em que a relva desaparece pelo efeito dos rodados. De nada serve, pelos vistos, a sinalética de Proibido Circular.
Ora é o que temos nesta cidade vocacionada para o automóvel. Ao invés de se criarem zonas pedonais, zonas agradáveis à mobilidade suave, os automóveis ainda assaltam os resquícios de espaço verde feito para as pessoas.
Sem dúvida que é ilegal, mas não há qualquer fiscalização e muito menos sancionamento. A polícia municipal deverá estar ocupada a multar quem deixou passar a hora do parquímetro… eu sei que não são os agentes que decidem o trabalho do dia, mas alguém estabelece essas prioridades e parece que os jardins não estão muito acima nessas prioridades.
Ah. pobre Gonçalo Ribeiro Teles, se soubesses como tratam o teu jardim da AAC…
Que tristeza.

Muitos parabéns pelo artigo! É mesmo inadmissível, assistir a esta impunidade, com comportamentos de total falta de civismo.