Opinião: Cantares de Coimbra
A 4 de Abril de 2023, ao intervir na inauguração do “Espaço Efe-Erre-Á – Momentos da Vida Académica”, integrado no Museu da Ciência, lancei um desafio ao Reitor da Universidade e ao Presidente da Câmara Municipal, presentes na cerimónia, para que promovessem a criação de um Monumento aos Estudantes.
Dias depois, no texto que publiquei neste espaço que o Diário As Beiras concede à AAEC, reforcei esse repto, escrevendo:
“Permito-me recordar que o Papa João Paulo II esteve em Coimbra em 1981 durante escassas horas, e pouco depois erigiram-lhe imponente estátua junto aos Arcos do Jardim. Os estudantes estão em Coimbra há mais de 730 anos, mas ainda não tiveram direito a isso!… Por favor, unam esforços e façam um digno monumento ao estudante. A Academia merece, a cidade agradece”.
E acrescentava:
“A minha sugestão é a de que se crie um conjunto figurativo, por um escultor com provas dadas nesse domínio. Um monumento que represente os estudantes de capa e batina e com que seja possível interagir. À semelhança, por exemplo, do ‘Pessoa’ no Chiado, em Lisboa, onde as pessoas se sentam para tirar fotografias. Aqui poderia haver também bancos de pedra (como os do Penedo da Saudade), com alguns estudantes sentados e outros de pé. Celebrando os que há mais de sete séculos frequentam a Universidade e marcam Coimbra, fazendo jus à designação de ‘Cidade dos Estudantes’, mundialmente reconhecida, e constituindo um ponto, simultaneamente, de homenagem, de atracção e de divulgação da cidade e da Academia”.
Vim depois a apurar que esta minha sugestão coincidiu com uma proposta que a escultora Dora Tracana apresentou à Câmara Municipal, no sentido de executar um grupo escultórico designado por “Serenata”.
Foi uma feliz coincidência, já que eu nunca abordei o assunto com a escultora – que não tenho o gosto de conhecer.
Mas a verdade é que a Câmara Municipal de Coimbra acolheu estas sugestões de forma positiva, chegando a acordo com Dora Tracana para a execução da obra.
E assim surgiu o grupo escultórico agora intitulado “Cantares de Coimbra”, inaugurado no passado dia 20 de Dezembro num local que me parece uma boa escolha: um recanto da Rua Ferreira Borges (quase em frente ao Edifício Chiado), que traz boas memórias aos conimbricenses mais velhos, pois até há alguns anos eram ali afixados os cartazes com os filmes em exibição nos cinemas da cidade.
Tenho estado atento às reacções a este novo grupo escultórico. Registo os comentários que me vão chegando e também os que vou lendo nas redes sociais.
Sei que já se tornou local de paragem obrigatória para muitos passantes, que ali se sentam para serem fotografados entre os estudantes de bronze.
Claro que Coimbra sempre foi fértil em maledicentes, pelo que logo apareceram algumas apreciações negativas – “porque não tem mulheres, porque faltam músicos, porque a posição dos músicos deveria ser outra, porque a capa está mal traçada”…
Mas a verdade é que, de uma forma geral, as opiniões são muito positivas.
O que me parece de inteira justiça, pois Dora Tracana agarrou bem a ideia e conseguiu, com muito mérito, criar um grupo escultórico com apreciável qualidade artística, que constitui uma digna homenagem aos estudantes de Coimbra e aos seus cantares, enriquecendo o património monumental da cidade – e sendo também um elemento dinamizador da Baixa.
Felicito, por isso, quer a escultora, quer a Câmara Municipal de Coimbra, por terem concretizado este projecto.
E aqui deixo já outra proposta ao Executivo presidido por José Manuel Silva: uma escultura em homenagem a uma das mais notáveis figuras da História e da Cultura de Portugal, que foi o Infante D. Pedro, Duque de Coimbra.
Sugiro que vejam a maqueta da excelente estátua equestre da autoria do escultor Alves André, que em 2018 pude apreciar no Tribunal da Relação de Coimbra, no âmbito de uma exposição sobre o Infante D. Pedro, promovida pelo historiador Alfredo Pinheiro Marques – profundo conhecedor e incansável divulgador da vida e obra deste insigne português.
