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Opinião: Avaliação Europeia de Riscos Climáticos e o Estado do Clima Mundial 2023

21 de março de 2024 às 08 h59
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A Agência Europeia de Ambiente (EEA) em conjunto com várias organizações parceiras, publicou, no passado dia 14 de março, a primeira Avaliação Europeia de Riscos Climáticos (EUCRA), conforme havia sido anunciado na Comunicação – “Criar uma Europa resiliente às alterações climáticas – a nova Estratégia da UE para adaptação às alterações climáticas”, COM ( 2021 ) 82 final.
O relatório EUCRA da EEA baseia-se e complementa a base de conhecimentos existente sobre os efeitos e os riscos climáticos para a Europa, incluindo relatórios recentes do Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (PIAC), do Serviço Copernicus para as Alterações Climáticas (C3S) e do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (CCI), bem como os resultados de projetos de investigação e desenvolvimento financiados pela UE e avaliações nacionais dos riscos climáticos.
O relatório EUCRA visa apoiar na identificação das prioridades políticas europeias relacionadas com a adaptação às alterações climáticas para o próximo ciclo político da UE que se inicia com as eleições europeias já em junho do corrente ano.
A avaliação identifica trinta e seis grandes riscos climáticos para a Europa dividindo-os em cinco grandes grupos ou clusters: ecossistemas (com nove riscos), alimentação (com cinco riscos), saúde (com sete riscos), infraestruturas (com sete riscos) e economia e finanças (com oito riscos).
Segundo a avaliação efetuada pela EEA, dos trinta e seis riscos climáticos, oito necessitam de ações particularmente urgentes.
No grupo ecossistemas necessitam de ações particularmente urgentes os ecossistemas costeiros, os ecossistemas marinhos e a perda de biodiversidade relacionada, em particular, com os fogos florestais. O documento recorda que os ecossistemas prestam múltiplos serviços às populações pelo que estes riscos têm um elevado potencial de propagação aos outros grupos (alimentação, saúde, infraestruturas e a economia e finanças).
No grupo alimentação, a quebra de produção agrícola é o risco que necessita de ações particularmente urgentes, atendendo aos fenómenos extremos de calor e seca, em especial as prolongadas que são uma ameaça significativa, não só para a produção agrícola, mas ainda para o abastecimento de água.
No grupo saúde (humana) o calor extremo é o fator mais grave e com ações particularmente urgentes que importa ter em consideração no ordenamento do território, nas normas de construção e mesmo na legislação laboral.
No grupo infraestruturas necessitam de ações particularmente urgentes os riscos relacionados com as inundações.
No grupo economia e finanças é particularmente urgente a viabilidade dos mecanismos de financiamento de solidariedade Europeus, como o Fundo de Solidariedade da UE. Por outro lado, os eventos climáticos extremos como incêndios florestais e inundações impactam diretamente os cidadãos através da perda de bens, do aumento de prémios de seguros e do aumento de impostos, entre outros.
Salienta-se que destes riscos climáticos particularmente urgentes, três já se apresentam como hotspots no sul da Europa, particularmente a perda de biodiversidade, a produção agrícola e o calor extremo.
Importa assim que as políticas nacionais, regionais, intermunicipais e locais sejam revisitadas à luz desta avaliação e que a adequem às suas ações de combate às alterações climáticas, pois como afirma a Diretora Executiva, da Agência Europeia do Ambiente esta avaliação “mostra que a Europa enfrenta riscos climáticos urgentes, que estão a crescer mais rapidamente do que a nossa preparação social. Para assegurar a resiliência das nossas sociedades, os decisores políticos europeus e nacionais devem agir agora para reduzir os riscos climáticos, tanto através de cortes rápidos das emissões como de políticas e ações de adaptação fortes.”
Algo de desastroso já a Europa garantiu é, segundo este relatório, o continente que regista o aquecimento mais rápido.
Além deste Relatório de Avaliação Europeia de Riscos Climáticos há um novo relatório publicado, também este mês, pela Organização Meteorológica Mundial (WMO) sobre o Estado do Clima Mundial em 2023. Este último, confirmou que 2023 foi o ano mais quente de que há registo, com temperatura média global próxima da superfície a situar-se 1,45 º Celsius acima da linha de base pré-industrial. Por este motivo foram ultrapassados valores máximos no que respeita ao calor das massas de água oceânicas, à subida do nível do mar, à perda de gelo marinho na Antártica e ao recuo dos glaciares.

 

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