Opinião: “Ainda as eleições autárquicas…”
Como já é habitual, no final da noite de eleições todos os Partidos tendem a reclamar victória ou, pelo menos, arranjam sempre um processo de não haver derrota. Curiosamente, também desta vez, alguns Partidos – PSD, CDS, PS e Chega -, embora com geometrias diferentes de victória, puderam realmente reclamar alguma coisa, o que será de assinalar na medida em que nos permite acreditar que em Democracia há sempre uma certa e positiva resiliência!…
Na verdade, há que assinalar que o grande vencedor destas eleições foi sem dúvida o PSD, pois conseguiu vencer o que parecia mais difícil, como Lisboa e Porto, para além de outras Câmaras importantes e populosas, como Sintraa, Gaia e Braga, retirando ainda Beja à CDU e PS, embora sofresse derrotas em Coimbra e Viseu, onde houve inversão do que existia a favor do PS. De qualquer modo, conquista a Presidência da Assembleia de Municípios e podemos, sem mais comentários, afirmar que Montenegro recebeu nessa noite uma espécie de moção de confiança ao seu Governo, o que naturalmente lhe deu um novo e significativo fôlego.
Os Socialistas não conseguiram manter a dimensão do poder autárquico anterior, como certamente desejariam. Mas, sem sombra de dúvida que conseguiram afirmar-se como um grande Partido e, sobretudo, conseguiram provar que o seu novo Líder, José Luís Carneiro, terá dado uma lavagem airosa ao seu Partido e conseguido tirá-lo do colapso que havia sofrido e da desorientação em que se encontrava a nível nacional, podendo assim começar a pensar-se de novo no lugar de “Partido alternativo” da Democracia Portuguesa.
Quanto ao CDS, que muitos dizem ter-se apagado a nível nacional, soube impor-se a nível autárquico, e os seus eleitores demonstraram confiança nas Câmaras que conquistaram.
O CHEGA tmbém “ganhou” porque iniciou a sua implantação no poder autárquico … mas o seu Líder, André Ventura, ficou muito longe (mesmo muito longe) do que esperava atrás das suas ambições!… E, sobretudo, deverá começar a pensar que a imagem de um Partido não se coaduna apenas com a visibilidade de uma pessoa, mas devem ser evidentes muitas “personalidades”!… O PCP “alegrou-se” com a recuperação de certas regiões alentejanas, mas viu-se forçado a admitir que teve algumas derrotas significativas. Há, aqui, que assinalar que João Ferreira foi um candidato que fez uma boa campanha, que trata os assuntos sem ser escravo do fanatismo ideológico e fá-lo com uma preparação política assinalável!… Mas no PCP só conhecemos um único João Ferreira!…
Finalmente, uma palavra sobre o grupo “Independentes” e, aí sim, também uma grande victória! É certo que é já um lugar comum dizer-se que as eleições autárquicas nada têm que ver com as eleições legislativas, mas talvez seja a hora de se tirarem lições do facto e se rever a “Lei Eleitoral”!… Se todos dizem que nas eleições autárquicas tudo acontece porque o eleitor conhece em quem vota … porque é que nas eleições legislativas se continuam a nomear candidatos que nada dizem à Região, de quem os eleitores muitas vezes nunca ouviram falar, mas que surgem apenas porque são “carreiristas” sempre de acordo com a “estratégia do Partido”?!…Porquê não se passam a personalizar mais os representantes distritais, representantes que possam também ser portadores dos problemas locais e regionais e não sejam apenas “a voz do chefe”?!…
Por isso, e agora voltando às recentes eleições autárquicas, terminadas estas há que pensar nas populações e não nos interesses partidários ou “carreiristas”. Há que pensar nos melhores entendimentos possíveis entre os eleitos e acabem as ”linhas vermelhas”. Há necessidade não de passar o tempo a discutir de quem é a culpa ou a discutir indefinidamente as decisões urgentes a tomar, mas o tempo é de “trabalhar” e de “fazer”!…
