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O mau exemplo espanhol

08 de maio de 2026 às 11 h00

Pedro Sanchez chegou a primeiro-ministro do Reino de Espanha com o apoio de 8 partidos, incluindo os independentistas catalães de Carles Puigdemont, que até ao momento só ainda não foi condenado porque anda fugido às autoridades espanholas, exilado na Bélgica e, depois, em França. Mas mantêm-se em vigor os mandados de detenção para que seja julgado pelos crimes de peculato e desobediência. E só não está por sedição (rebelião contra a autoridade do Estado) porque Pedro Sanchez fez aprovar uma lei de Amnistia que removeu este crime do Código Penal espanhol. Outras alterações legislativas permitiram a saída da prisão de quase meia centena de condenados da ETA, que estavam presos por crimes como homicídio, atentados à bomba, sequestros, extorsão e outros.

Esta base de apoio político do primeiro-ministro espanhol não o incomoda, tal como são para ele irrelevantes os vários processos e investigações que visam tanto o seu círculo político mais próximo como a sua vida pessoal. A sua mulher está envolvida em quatro crimes, incluindo tráfico de influências e corrupção. Há também uma investigação que visa o seu irmão por alegados crimes de peculato, tráfico de influências e crimes contra o Tesouro Público. Sobre o PSOE também paira o caso Koldo, uma investigação centrada em mais um alegado esquema de corrupção. É difícil imaginar um cenário pior, mas Pedro Sanchez age como se nada fosse.

Seja para desviar atenções ou não, o líder do governo espanhol anda a criticar Israel do alto de um pedestal (o que interessa é o gesto, não o resultado: é o exemplo “flotilha”), mas ao mesmo tempo visita a Arábia Saudita e é até neste país que se joga a supertaça espanhola de futebol. Há sempre uma moral “à mão de semear” que tudo justifica, quer seja para ser e se manter como primeiro-ministro, quer seja para ir ao encontro do pragmatismo económico. É o exemplo acabado de uma esquerda que já não faz política, que exerce o poder como se fosse um jogo de tabuleiro sem qualquer obrigação mínima e, sobretudo, afastada de qualquer sacrifício pessoal.

Pedro Sanchez é um político a quem não interessam quaisquer mudanças, que não se incomoda minimamente com a sujidade da realidade que o envolve, pois só lhe pode interessar o seu prazer, a sua gratificação pessoal.

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