“O ISCAC pode existir num cenário de fusão ou de não fusão (UC e IPC)”
Alexandre Silva, presidente do ISCAC | Fotografia: Pedro Filipe Ramos
Nos 50 anos do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra (ISCAC), o seu presidente, Alexandre Silva, “não vê nuvens negras” no futuro da escola, quer com a fusão do IPC e a UC, quer num cenário de instituições independentes
São 50 anos de ensino superior, o que é que ainda falta cumprir no ISCAC? Os doutoramentos?
Os doutoramentos, mas eu costumo dizer que o ensino superior não tem pontos de chegada, só tem pontos de partida. Porque no dia em que alguma instituição de ensino superior chegar a uma meta ou se acomodar, perde logo a maré. Porque o ensino, o conhecimento, a investigação são dinâmicos.
Os doutoramentos são um marco, mas destinam-se a uma franja muito específica da comunidade. São importantes porque também permitem aqui alguma investigação e alguma especialização em determinados temas, mas, em termos de comunidade, atingem apenas uma pequena parte.
Temos que estar atentos a toda a comunidade que nos procura, sejam indivíduos, sejam empresas, organizações, e temos que saber dar resposta a essas novas necessidades.
Mas em que ponto estão os doutoramentos?
Os doutoramentos precisam de um centro de investigação com a classificação de muito bom. Nós temos um centro de investigação, mas não tem essa classificação e, portanto, temos de ter aqui uma parceria que está a ser estudada no sentido de avançarmos, seja como parceiros, portanto, num consórcio.
Podemos ser parceiros ou o doutoramento pode ser de outra instituição, mas nós termos docentes nossos a orientar e fornecer alunos nossos para esse doutoramento, através de parceria no centro de investigação, que nos permitirá, também, promover o doutoramento.
Neste momento, é um desejo, mas não é determinante para o nosso funcionamento. Vemos nas outras instituições politécnicas que já têm doutoramentos e não têm muitos alunos.
A Coimbra Business School é a parte rentável da escola?
Exatamente. Nós temos duas particularidades muito grandes. Com a exceção do ano passado, que foi um ano atípico, temos a particularidade de fazer sempre um pleno nas entradas da primeira fase de candidaturas de acesso ao Ensino Superior para as licenciaturas. Nos mestrados, temos mais alunos que as outras escolas todas do IPC juntas.
Na parte dos mestrados todos têm a parte de estágio. Todos têm uma vertente muito chegada às empresas e às organizações. Temos praticamente empregabilidade plena e nas pós-graduações, que são à volta de 40. As micro-credenciações por causa do PRR, que ainda são mais, temos a preocupação de fazer as direcionar ao mercado.
Fazemos também uma descentralização. Estamos em Mortágua, na Figueira da Foz, temos uma parceria com a Câmara de Lisboa e temos uma parceria com a Sonae. Temos protocolos com mais de 17 câmaras municipais. Nós temos parcerias e não temos medo de fazer parcerias, vamos a qualquer sítio, sobretudo, tudo o que sirva para enriquecer a nossa formação, os nossos alunos.
É também uma forma de coesão territorial, porque os nossos alunos, muitas vezes, até sendo de localidades do interior ou localidades com menos densidade, quando querem fazer algum estágio nessa sua região e nós aceitamos.
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