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O esplendor de Portugal

09 de julho de 2026 às 10 h45

Viver emigrado é carregar Portugal dentro do peito, onde quer que a vida nos leve. Em Macau, e na diáspora longínqua em geral, isso ganha contornos especiais quando a Seleção joga, pois o fuso horário impõe madrugadas intensas ou noitadas em claro, mas o cansaço do dia seguinte vale cada segundo.

Pessoalmente, o que mais me emociona, durante o ano em geral mas em épocas de Europeu ou Mundial em particular, é cruzar-me com chineses ou expatriados de outras nacionalidades a exibir orgulhosamente a camisola de Portugal. Concordemos que a figura de Cristiano Ronaldo contribuiu de forma marcante na projeção e no reconhecimento atual de Portugal a nível internacional. Seja num tuk-tuk em Bangkok, num templo em Osaka ou num humilde restaurante de praia de Hoi An, rasgam-se sorrisos quando constatam que estão perante uma portuguesa de gema e instintivamente soltam um “Ronaldooooo”.

 

É nesse espírito que, de repente, em frente a uma televisão a milhares de quilómetros do Atlântico, há portugueses, chineses, filipinos, brasileiros, angolanos, italianos, … todos unidos pela mesma equipa. O futebol faz isso como poucos: une nacionalidades, dissipa fronteiras e reforça laços de uma forma natural e genuína. É a diplomacia do povo, feita de golos, brindes de esperança, abraços emotivos e gritos coletivos, sem necessidade de avaliar conjunturas, de recorrer a tratados ou a discursos oficiais. Durante noventa minutos as diferenças culturais e raciais desaparecem, e o que fica é a humanidade pura, despida de qualquer tipo de preconceitos. Fica o entusiasmo partilhado a cada remate, a euforia partilhada a cada golo e a frustração comum quando o desfecho não é o expectável.

 

Por isso, uma coisa é certa: no final de cada jogo, mesmo quando nuestros hermanos levam o jamón para casa, levantamo-nos com o coração mais cheio, pois apoiar a Seleção fora de Portugal é muito mais do que torcer; é a emoção de sentir que pertencemos a algo maior e uma forma subtil de apaziguar as saudades, criando novas ligações emocionais ao perceber que, no fundo, estamos todos unidos.

 

Ânimo Portugal! Daqui a quatro anos o mundo estará novamente contigo.

 

Uma nota final de apreço a quem, independentemente da nacionalidade, veste e vestirá connosco esta camisola.

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