Movimento Porta a Porta pinta mural para “dar voz aos problemas da habitação”
Mural foi ontem pintado | Fotografia: Movimento Porta a Porta
Cerca de uma dezena de jovens que integram o movimento Porta a Porta – Casa para Todos pintaram ontem um mural na cidade de Coimbra, para “dar voz aos problemas da habitação”, que afeta trabalhadores e estudantes.
“Quisemos colocar este muro a falar dos problemas que muitos dos que aqui passam sentem, senão a esmagadora maioria sente. As paredes das cidades não têm que ser mudas e podem falar aquilo que muitos de nós querem dizer”, destacou Fernando Teixeira, do movimento Porta a Porta – Casa para Todos.
A iniciativa integra a semana nacional de luta pela habitação e pretende “chamar a atenção para o aumento das rendas, exigências dos senhorios no arrendamento e dificuldades de acesso a uma casa”.
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Em declarações à agência Lusa, o advogado de 31 anos explicou que a localização foi escolhida pela sua visibilidade, mas também pelo simbolismo que está associado à Praça 25 de Abril.
“Escolhemos esta localização pelo facto de estar junto à Praça 25 de Abril, do ponto de vista simbólico, enquanto data que fixou a habitação enquanto um direito constitucional”, sustentou.
No mural foi pintada a frase “Luta pela habitação, a caução aumenta e o povo não aguenta”, numa crítica às alterações legislativas propostas pelo Governo para o mercado de arrendamento.
“A partir do momento em que o senhorio pode ter um valor indeterminado à sua disposição para caucionar quem entra, serve desde logo para uma coisa: aplicar discriminação sem ter que o fazer”, defendeu.
Segundo Fernando Teixeira, ao movimento chegam regularmente denúncias relacionadas com o mercado de arrendamento em Coimbra, sobretudo de estudantes.
“A maioria desse arrendamento estudantil é ilegal, não tem contrato de arrendamento e os inquilinos estão numa situação extremamente precária”, afirmou.
A ação contou com a participação de João Rocha, um analista de dados de 29 anos, que apontou as dificuldades que os jovens sentem para conseguir a sua independência habitacional.
“Cada vez mais tarde temos a possibilidade de sair de casa dos pais e, mesmo quando saímos para arrendar um quarto, gastamos uma fatia demasiado grande do nosso salário”, lamentou.
Já a bolseira de investigação Inês Rua, de 32 anos, considerou que o problema da habitação deve mobilizar toda a sociedade.
“Não só porque efetivamente me sinto, enquanto uma das pessoas visadas, mas mesmo que não me sentisse, acho que é uma questão de responsabilidade social o estado em que a habitação está”, disse.
Por sua vez Mélanie Mós, tradutora de 30 anos, explicou ter aderido ao movimento por testemunhar as dificuldades enfrentadas por alguns dos seus amigos.
“Estão a pagar rendas muito caras, também não conseguem comprar casa ou, quando conseguem, ficam quase sem dinheiro ao fim do mês”, relatou.
À Lusa, a jovem tradutora alertou ainda para a aproximação dos preços praticados em Coimbra aos registados nos grandes centros urbanos.
“Uma renda no centro de Coimbra, de um T2, é na boa 800 ou 900 euros. Está quase como em Lisboa, quando os salários não têm nada a ver”, concluiu.
A Semana Nacional de Luta pelo Direito à Habitação começou na terça-feira, no Porto.

