Marta Temido: “Vejo o encerramento das urgências do Hospital dos Covões com muita preocupação”
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Como avalia este primeiro ano no Parlamento Europeu?
Foi um ano muito intenso, muito duro, porque foi um ano totalmente diferente.
Foi particularmente exigente porque entrei numa organização complexa, com as responsabilidades de ter vencido as eleições, de se liderar a delegação e de entrar em algumas áreas que foi a primeira vez que passei a acompanhar diretamente.
Além disso, é difícil ter boas relações com 719 pessoas, trabalhar com a nossa equipa de delegação e os meus colegas da delegação portuguesa. Trabalhar fora de Estrasburgo e Bruxelas é muitíssimas vezes também duro. Eu participei em missões quase meia dúzia de processos eleitorais. Estive nas Filipinas, Moçambique, Kosovo ou Moldova.
Há 10 anos imaginava vencer umas eleições europeias, ser eurodeputada e ser política?
Não, mas chegou com naturalidade e com muito trabalho.
Faz parte da delegação das relações com Israel. Acredito que não tenha sido fácil gerir essa relação…
A escolha de pertencer à delegação das relações com o Israel foi uma escolha deliberada. Há ainda um certo estigma de quem é da esquerda relativamente a Israel. Não podemos confundir um país com os seus governantes.
Se nós achamos que Israel se tornou um país capturado por uma determinada ideologia política contrária a um conjunto de valores, então temos que dizer presente e fazer parte da construção de uma outra realidade.
Esperava um papel mais interventivo da União Europeia?
Não tenhamos dúvidas que a União Europeia foi, inicialmente, relativamente ao governo de Israel, muito pouco arrojada, muito pouco incisiva, muito pouco clara. Demorávamos imenso tempo e hoje achamos que está a acontecer um plano de paz, mas nós sabemos bem que não está a acontecer plano de paz nenhum.
Tive a oportunidade de participar numa reunião com jornalistas da Palestina, Bielorússia, Geórgia e de outros países onde há regimes semi-autoritários e eles diziam que todos os dias são assassinados na faixa de Gaza 50 a 60 jornalistas por dia.
Entrevista completa na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS de 26/12/2025
