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Má notícia, estas crises não se resolvem uma a uma

22 de janeiro de 2026 às 11 h09
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Há crises iniciadas por vontades humanas, por actos ou omissões. Outras que têm um decurso natural. Por exemplo guerras pertencem à primeira. Se uma das partes se render ou a outra parar a guerra em si pára, mal ou bem, pára. Com crises do âmbito natural já é mais complicado. Um incêndio não pára por desistência do outro lado, nem por diplomacia convincente. Nem uma pandemia. Nem um incêndio NUMA pandemia.

Há várias décadas que sabemos que temos duas crises a avolumar-se. A Crise Climática e a crise do Colapso da Biodiversidade. As duas concorrem, as duas cruzam-se, a primeira agrava a segunda, o agravamento da segunda exponencia as consequências da primeira.

As causas da primeira já foram aqui bastante faladas, queima de combustíveis fósseis, emissão de gases de efeito de estufa, etc. A segunda, que ainda compreendemos menos como nos afecta, tem também causas variadas, quase todas de origem humana. Perda de habitat como principal, degradação de ecossistemas, introduções de espécies invasoras, sobreexploração de recursos. As consequências da perda de biodiversidade são de índole de comprometer a nossa qualidade de vida futura, só de pensar na perda de insectos e de polinizadores em geral, pode representar um colapso agrícola como nunca imaginámos.
Assim como há para o Clima, houve alguns compromissos para esta crise da biodiversidade, a nível mundial e, também europeu. Pouco, ainda menos eficazes que as metas do clima, mas pelo menos algo.

A pandemia deu algum alento pela resposta a uma crise e colaboração internacional. E, além do clima, e transição energética, a UE preparou o Green New Deal (NGD), seria um investimento nunca visto em Clima e Natureza, iria projectar a UE para o topo da tecnologia e resposta ambiental, preparando-ae para as consequências inevitáveis. Mas… dá-se a invasão da Ucrânia e a coisa patina, compreende-se, mas sabe-se que não se pode esperar.

E, entretanto, esfuma-se o NGD, e aposta-se, ainda, na transição. Eis se não quando se verifica que esta transição, esta «resposta» à crise climática, se está a dar à custa do agravamento do Colapso da Biodiversidade. As eólicas já tinham prejudicado espécies predadoras de topo pela ocupação das cumeadas. E vemos os painéis solares a serem postos no campo, a cortar-se matas, de carvalhos, sobreiros, tudo, o que estiver em frente. E a acharem normal. E a desconsiderarem as populações.

O problema são dois: as crises não esperam uma pela resolução da outra e uma não pode resolver-se à custa do agravamento da outra. Têm que se resolver em conjunto, em sincronia, sem uma solução agravar a outra.
Não nos enganem com a manipulação das avaliações de impacte ambiental.

Nota: durante anos se perdeu tempo a debater com negacionistas do clima. Vemos agora esses negacionistas a investirem no Ártico à espera do degelo. Percebemos, um pouco tarde, que a negação não era, talvez, por rejeição da ciência mas antes por aposta nos negócios proporcionados.

Autoria de:

Mário Reis

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