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Investigação liderada por médico de Coimbra sugere que o casamento previne cancro

22 de maio de 2026 às 10 h04

Paulo Pinheiro, médico de Coimbra e investigador da Universidade de Miami, é o autor principal de um estudo científico que sugere que o casamento pode estar ligado a um menor risco de cancro.

O estudo foi publicado no início de abril na revista Cancer Research Communications e teve ampla repercussão nos media internacionais – com destaque para um longo artigo na CNN Health.

Os dados constantes do estudo revelam que as taxas de cancro dos homens solteiros são 68% mais elevadas do que entre os que já foram casados, incluindo por isso divorciados e viúvos. A incidência é ainda maior – 83% – para as mulheres que nunca casaram.

O efeito do casamento “acumula-se” ao longo do tempo, disse à CNN Paulo S. Pinheiro, fortalecendo a resiliência dos adultos mais velhos. O que pode levar a esta situação? Segundo Pinheiro, partilhar a vida com um cônjuge significa ter alguém que incentiva consultas médicas, exames preventivos em dia e desincentiva comportamentos de risco, como fumar e beber em excesso.

Citado pela CNN, o médico admite que a diferença entre quem nunca se casou e os que já se casaram aumenta à medida que as pessoas envelhecem e acumulam exposição a fatores de risco. “Estamos convencidos de que isto, de alguma forma, traduz um aspeto cumulativo do casamento que pode ser positivo em termos de risco de cancro”, afirmou. Esta evidência acentua-se quando os dados foram analisados por raça e etnia, para os homens hispânicos e negros, que parecem beneficiar mais do casamento em comparação com os homens brancos.

Noutro plano, os dados da investigação revelam que o casamento também está associado a relatos significativamente mais elevados de felicidade, lê-se ainda na peça da CNN.

Paulo S. Pinheiro licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Coimbra, em 1992, tendo concluído a especialidade em epidemiologia, cinco anos depois, no The Netherlands Institute for Health Sciences (Universidade de Roterdão). Desde 2009, na Universidade de Miami, publicou já dezenas de artigos científicos e recebeu dezenas de prémios. A epidemiologia do cancro é a sua área de especialização, com foco em disparidades populacionais e análise de grandes bases de dados de vigilância oncológica.

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