Há açúcar no asteroide Bennu!
A maioria dos asteroides passam a maior parte do seu tempo entre as órbitas dos planetas Marte e Júpiter, na chamada cintura de asteroides. Conhecemos já mais de um milhão e cem mil destes asteroides.
Em princípio, teria sido possível formar-se um planeta semelhante a Marte na região da cintura de asteroides mas o gigante planeta Júpiter formou-se primeiro, acabando por perturbar a região da cintura de asteroides com a sua gravidade. Essa perturbação não deixou nunca que houvesse alguma grande aglomeração de asteroides dando origem a um planeta. O maior asteroide, também classificado de planeta-anão, é Ceres, com quase 1000 km de diâmetro. O segundo, com pouco mais de 500 km é Vesta.
Mas muitos outros asteroides existem fora da cintura! Temos, por exemplo, os asteroides cruzadores de Marte, com sigla em inglês: MCA, cuja órbita, como diz o nome, cruza a do planeta Marte e, embora também passem algum tempo dentro da cintura de asteroides, são considerados um caso à parte. E temos também os asteroides próximos da Terra, com sigla em inglês: NEA, muitas da vezes chamamos de objetos próximos da Terra , com sigla: NEO, para evitar utilizar a palavra asteroide. Conhecemos dezenas de milhares de objetos de cada uma destas duas classes.
Um asteroide próximo da Terra muito famoso é o (101955) Bennu. Tem cerca de 500 m de diâmetro, leva quase 437 dias a dar uma volta ao sol, e em 2135 vai passar por nós apenas a metade da distância entre a Terra e a Lua. Apesar de passar perto, não nos vai acertar e podemos estar descansados quanto a este. O que o tornou famoso não foi ser potencialmente perigosos mas sim a missão espacial OSIRIS-REX, da NASA, lançada em 2016, que foi ao seu encontro e trouxe para a Terra, em 2023, uma amostra de 122 g do solo do Bennu.
São várias as descobertas que já se fizeram com esta pequena amostra. Uma espetacular, resultou de um trabalho da equipa liderada por Daniel P. Glavin, do Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA, nos Estados-Unidos, que foi publicado em janeiro deste ano na revista Nature. Descobriram que no solo de Bennu existem nada mais nada menos que 14 dos 20 aminoácidos que compõem as proteínas da vida tal como nós a conhecemos.
Como se não bastasse, este mês, um trabalho da equipa liderada por Yoshihiro Furukawa, da Universidade Tohoku, no Japão, publicado na revista Nature Geoscience, mostra a deteção de ribose e glicose, dois açúcares essenciais para a vida tal como a conhecemos.
Estes trabalhos, somados a muitos outros, dão nova força à possiblidade de terem sido os asteróides que trouxeram para a Terra os ingredientes principais para o surgimento de vida. Não trouxeram vida, mas trouxeram, para uma Terra que se formou seca, minerais hidratados, dos quais se libertaram as maioria das moléculas de água que hoje temos, e muitos compostos ricos em carbono, entre eles aminoácidos e açúcares.
A astronomia e as ciências planetárias jamais deixarão de nos surpreender. E não nos esqueçamos de que é bem mais provável descobrirmos vida algures no nosso Sistema Solar antes de a descobrirmos num exoplaneta qualquer.
