Quanto espaço tem Coimbra?
Quando falo de Espaço não falo de dimensão geográfica da cidade ou da região. Não falo da dimensão psicológica ou de uma ideia cosmopolita de grandiosidade. Ainda que as dimensões físicas e psicológicas da cidade sejam interessantes de analisar, do que falo é do Espaço enquanto oportunidade económica.
Nas últimas semanas assistimos com curiosidade à missão Artemis 2. Acredito que também foi tocante para os leitores, pois marca o regresso à exploração da Lua, num esforço colaborativo entre ciência e engenharia; entre Europa e América; entre NASA e a ESA, entre o sonho e o desafio. E o momento é irónico: a calma infinita do cosmos, contrasta com a agitação que vivemos “cá em baixo”. A 1ª foto desta missão foi nomeada “Hello, World”, e mostra a vasta extensão azul do oceano Atlântico, emoldurada por um fino brilho da atmosfera enquanto a Terra eclipsa o Sol e auroras esverdeadas aparecem em ambos os polos do planeta. A fragilidade do nosso planeta é também a força que nos une.
Muitos questionarão qual é o papel do país, e de Coimbra, nesta nova economia? Temos percorrido um longo caminho desde os esforços do Prof. Carvalho Rodrigues em 1993 e o lançamento do 1º satélite “português”, o PoSAT-1. Com a adesão à Agência Espacial Europeia em 2000 e posterior criação em 2019 da Agência Espacial Portuguesa, consolidou-se uma estratégia nacional que integra ensino, ciência e indústria. Coimbra tem desempenhado um papel importante nesta caminhada. Em primeiro lugar a indústria, com várias empresas em destaque: desde logo a Critical Software (onde espaço e aviação são setores consolidados) mas também a Active Space Technologies, empresa pioneira que já participou em mais de 30 missões nos últimos 20 anos. A estas juntaram-se várias startups incubadas pelo IPN como a Spotlite, a Fibersight ou a Neuraspace. A instalação da uma unidade de produção de satélites da multinacional Open Cosmos, releva a importância deste ecossistema complementar.
A ciência e a academia são chave neste domínio e a Universidade de Coimbra deu mais um passo decisivo ao lançar o curso de Eng. Aeroespacial, complementando o Mestrado em Astrofísica e Instrumentação Espacial e todo o trabalho nos domínios dos materiais ou da física, desenvolvidos em particular pelo Observatório Geofísico e Astronómico (OGAUC), onde tem sido consolidada a investigação em física solar e meteorologia espacial.
Finalmente o alinhamento político das autoridades, começando na CCDRC, passando pela CIM Região de Coimbra com a criação do Centro de Competências Geoespacial, e o Município com o apoio a uma estratégia concertada para este setor.
Assim, é com particular o orgulho e apoio destas entidades que este mês relançamos o programa ESA BIC Centro. Trata-se um programa que apoia com 60.000€ e suporte técnico especializado, empreendedores a aproveitar as tecnologias espaciais para desenhar as novas empresas que irão trilhar o futuro. Sendo gerido pelo IPN, conta com centros de incubação em Coimbra, Pampilhosa da Serra e Sta Maria, Açores.
Candidaturas aberta até 24 de Maio em: www.space.ipn.pt
Per aspera ad astra!

