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Exames nacionais

24 de julho de 2026 às 08 h45

Quando publicado, qualquer acontecimento grave pode ver multiplicada a sua gravidade perante o público que o lê ou ouve. Curiosamente, quase sempre os que procedem a tal multiplicação com as suas críticas ou comentários não são os melhor informados ou, quando o são, intencionalmente ou não, deturpam-no com as reconstruções a que procedem… “Quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto”!…

Neste caso, são os exames nacionais … o atraso na sua correcção … as notas “suspensas” … os erros de correcção … a correcção fraccionada … e o epicentro do acontecimento depois é o Ministro da Educação!…

Não há qualquer dúvida que o Ministério da Educação falhou … e, por isso, como o responsável político, o Ministro da Educação falhou!… Como não há qualquer dúvida que o Ministro da Educação publicamente não respondeu como deveria às críticas que de imediato surgiram!

O fósforo foi aceso e lançado para a rua e o Ministro não soube apagá-lo!… E a discussão acesa foi sobre a nova metodologia de correcção de provas, se foi previamente ensaiada ou não, onde está o relatório do ensaio que terá sido realizado (ou deveria ter sido), etc., etc. E, para mais acender a chama, lá se ia dizendo que os alunos não podem ser sujeitos a constrangimentos e a inseguranças de processos de inovação, a registos de ansiedade e preocupações … quando o epicentro deveria ter sido os estudantes e toda a discussão (e, sobretudo, sugestões) deveria ter sido centrada no como salvá-los deste labirinto assustador, no que fazer agora, no como devolver confiança aos resultados publicados, no como e quando vão agora os alunos matricular-se no ensino superior, fixando novas datas ou novos processamentos, etc..

Repito que o Estado falhou, que o Ministro da Educação falhou. Mas não se lhe pode negar o direito e a liberdade de proceder a reformas com a introdução da avaliação digital (já experimentada ou em prática em outros países europeus) …, desde que atento aos eventuais percalços ou erros e à sua rápida correcção. E estejamos sempre certos de que erros podem ser cometidos até pelos melhores e não é por um acidente de percurso que se destrói o Curriculum de alguém, nem é admissível que se chame “inoperante” ao Ministro, como declarou um deputado, ou tal seja motivo para se exigir a sua demissão, como o fez um partido político.
E o Ministro da educação reagiu, actuou, corrigiu os erros … talvez não com a clareza e a transparência devidas, porque o estado tem o dever de conservar a confiança na qualidade das escolas portuguesas e nenhum aluno pode ser prejudicado por quaisquer dificuldades, pertençam elas ao âmbito que pertencerem.

Posto isto, e só agora, será o tempo de averiguar onde começou a negligência e prevenir que tal não se repita. Se não há dúvida que o Estado falhou, deve ser afirmado também que é sempre difícil fazer mudanças e, mais difícil ainda, quanto maior a complexidade que tais mudanças envolvem. A aprendizagem ensina-nos que a pretensão, a vontade, a transparência e a firmeza são bons conselheiros.

Resta-me acrescentar que nesta confusão eu não entendi bem porque razão em muitas Escolas portuguesas não houve (ou, pelo menos, não foi aparente) a sensação deste labirinto ruidoso e destrutivo. E pergunto-me porquê? Será que aí as pessoas se concentraram só nos alunos, com a finalidade de minimizar o dano. Desconheço quantas foram as Escolas onde isso aconteceu, mas basta citar uma da cidade de Coimbra de que tenho conhecimento, que foi a Escola José Falcão.

Só quem tem mérito dá que falar!… Fernando Alexandre foi considerado um dos melhores Ministros deste Governo … e não foi com este acidente de percurso que para mim deixou de o ser …

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