Reflectir sobre a cidade em que gostaríamos de viver
Reflectir sobre a cidade em que gostaríamos de viver faz-nos pensar desde logo em beleza e comodidade. Isto implicará que os habitantes gostem do que vêem e que aí se sintam bem e com qualidade de vida.
É evidente que tal reflexão se chocará sempre, e desde logo, com as diferenças entre uma grande e uma pequena cidade; depois, com o passado histórico e respectivo espólio herdado e mais ou menos bem conservado; depois ainda, com identidades próprias de cada cidade, segundo características que se prendem com a intelectualização, o comércio, a industrialização, etc. Os atractivos de uma cidade com dez ou doze mil habitantes terão de ser sempre vistos de modo diferente numa cidade com dez ou mais milhões de habitantes; o passado histórico não pactuará com edifícios abandonados, em ruínas e uma vida estagnada; a intelectualidade, o comércio ou a indústria não podem viver em guetos isolados e elitistas, mas terão de ser factores a ser sentidos em simbiose de colaboração igualitária. Quando assim não é, será o “sempre do mesmo”, a estagnação, a negação da beleza e da comodidade, no significado de “o sentir-se bem” aí.
E não chegará que essa cidade esteja na montanha, junto ao mar, usufrua da vizinhança de um lago ou de um rio. Não chegará que tenha ruas, avenidas, praças, jardins e parques, edifícios históricos ou modernos, escolas ou metropolitano, se tais espaços passarem os dias sem vida, sem actividades sociais (culturais ou outras) … ou apenas com actividades de passagem, actividades esporádicas (que não dão tempo nem para fixar um olhar) ou acividades de “souvenirs”.
Também não chegará falar em “renovação urbana” ou em “renovação de planos de urbanização”, com demolição de prédios antigos (realmente históricos muitas vezes) e construção de prédios modernos (muitas vezes ao sabor estranho de alguns arquitectos), destruindo-se memórias (memórias com beleza, muitas vezes) e criando-se estruturas em que se esquece a comodidade (a qualidade dos circuitos, a qualidade de vida, o “sentir bem” do cidadão). Renovação não é destruição. Talvez seja mais dar nova vida, reabilitação.
E também não chegará pensar apenas no centro das cidades (sem qualquer dúvida, fundamentais na vida de uma cidade), mas, e à medida que uma cidade cresce, será necessário ir pensando noutros “centros da cidade”, que ir pensando nas periferias (onde se situa beleza e comodidade, isto é, qualidade de vida).
Tudo isto é um desafio que constantemente se põe aos Governos, às Autarquias … mas de que os cidadãos não se podem alhear!…
Tudo isto me vem ao pensamento quando olho para Coimbra … e vejo obras por todo o lado, obras de que resultou às vezes mais beleza … mas não sei bem se deram mais comodidade!… e vejo uma Rua da Sofia nomeada sobretudo “rua pedonal”… mas de que não descortino ainda se em vez de “atracção da Baixa” virou apenas confusão de trânsito na cidade!… e gostaria de ver a Rua da Sofia destacada pelos seus Colégios Universitários … esses sim, todos renovados (e repito, todos, pois alguns estão ocupados com “actividades diversas” que não dignificam a sua origem), pois são “Património Mundial da Unesco” e ouço falar em “Novo Plano de Urbanização” … que até estaria a ser necessário, mas de que ainda não entendi quais as intenções, pois não vi definidos os seus limites!…
E eu gostaria de sentir Coimbra com a sua beleza histórica e a sua beleza moderna … mas também com comodidade e segurança … gostaria de ver todos (os que aqui residem e os que nos visitam) a “sentirem-se bem” em Coimbra!…
