Estamos a construir para hoje ou para os próximos 100 anos?
A catedral da Sagrada Família de Gaudí é a imagem paradigmática da complexidade e dos dilemas atuais: desde que a primeira pedra foi lançada em 1882, a sua construção resistiu a guerras e mudanças políticas; viu despontar tecnologias que revolucionaram os processos construtivos, dando vida, em alguns casos, a ideias que Gaudí apenas idealizou ou iniciou. (Aliás, se puder, recomendo vivamente que visite e testemunhe os últimos passos da sua conclusão). Ao regressar do Mobile World Congress em Barcelona, continuo impressionado com a rapidez com que o ecossistema de telecomunicações e tecnologia está a evoluir.
A questão que deixo é: estaremos a construir a infraestrutura para suportar a avalanche da I.A. nas próximas décadas?
Esta é uma questão que preocupa muitos dos operadores europeus, mas especialmente os asiáticos, e assim um dos temas centrais do evento foi a evolução do padrão 5G. Mas o que destaco foram as discussões sobre os fundamentos iniciais da nova geração, o 6G: novas arquiteturas de rede nativas de I.A. e novos modelos/casos de usos de conectividade avançados. Uma das principais conclusões é a crescente convergência entre os ecossistemas de telecomunicações. Iniciativas como o 6G-VERSUS, um projeto da parceria SNS JU (Smart Networks and Services Joint Undertaking), estão a moldar a próxima geração de redes, e como a Europa poderá liderar o caminho.
Como frisou o CEO da Qualcomm, Cristiano Amon: “se realmente acreditamos na revolução da I.A., o 6G será necessário”. Azeem Azhar sinalizou que tanto a investigação como a implementação estão a ser prejudicadas não por limitações de software, mas pela falta de infraestrutura física… As restrições de energia e de chips são observáveis, uma vez que a I.A. já não é uma mera funcionalidade, mas sim é cada vez mais central a todos os produtos digitais. O evento apresentou inúmeras novidades em diversos setores: desde as cidades inteligentes, mobilidade ou automação industrial. A ambição é clara: a indústria está a caminhar para redes autónomas que se podem autoconfigurar e procurar otimizações em tempo real. Assim, outra questão que tem sido repetidamente levantada: estaremos a construir um novo tipo de “inteligência artificial” ou a multiplicar as nossas capacidades “humanas”?
A conectividade por si só já não é o objetivo final, é a plataforma sobre a qual estão a ser construídos os novos serviços digitais. Em Portugal podes ver bons exemplos destas tecnologias no regresso ao Convento de S.Francisco do Startup Capital Summit. Reservem o dia 3 de Junho na agenda e descubram o que as startups portuguesas estão a desenvolver:
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