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Liderar e gerir sociedades e organizações digitais

16 de junho de 2026 às 10 h15

A cidadania digital está intrinsecamente associada à capacidade para integrar ativamente a sociedade em ambiente digital, o que exige utilizar as ferramentas tecnológicas para obter informação, saber consumir e expressar-se, observando como padrão os direitos e deveres de todos os cidadãos. A cidadania digital, necessariamente cumprida no ambiente web, é decisiva graças ao facto de motivar o desenvolvimento pessoal e social das comunidades humanas, no contexto da transformação digital. A cidadania digital obriga ao acesso digital, à formação digital, ao comércio digital, ao direito digital, à segurança e privacidade de dados digitais e à saúde e bem-estar digitais.

É assim um conceito de carácter dinâmico que está em constante evolução acompanhando, deste modo, as transformações tecnológicas e sociais que acontecem no mundo. Ademais, a cidadania digital está diretamente relacionada com a proteção de dados, atendendo a que as duas facetas referidas têm como objetivo garantir os direitos fundamentais dos indivíduos no ambiente digital, contribuindo, de forma decisiva, para a confiança, a transparência e a segurança, atributos inerentes e integrantes do ambiente digital. Todos os direitos e obrigações proporcionados pelas novas tecnologias devem ser percecionados em termos de complexidade atendendo a que, no mundo da WWW, correm algoritmos, protocolos e programas para realizar múltiplas atividades sociais.

Na verdade, a cidadania digital é uma das múltiplas noções que apareceram como resultado da relevância da internet e das novas ferramentas digitais. A sua prática corporiza-se no seu uso responsável, e adicionalmente na utilização consciente das inúmeras tecnologias digitais. É, neste sentido, importante valorizar o ensino da cidadania digital, em simultâneo, com as noções de direitos e deveres em ambiente digital e em economia circular.

Com a utilização da internet, nem sempre é possível entender a entoação, as expressões faciais e outras pistas não verbais, que são, com facilidade, detetadas quando se fala pessoalmente com alguém. Neste contexto, os utilizadores da internet tendem a julgar de forma rápida e severa as declarações de outra pessoa na envolvente digital, o que pode potencialmente originar linchamentos virtuais e ataques cibernéticos, procedimentos estes suscetíveis de evoluir para cyberbullyng, uma problemática moderna que afeta os utilizadores mais jovens. É importante, neste enquadramento, refletir sobre a conduta individual online, ou seja, sobre a organização responsável da sociedade digital como uma nova ordem que promove individualmente um conhecimento superficial praticamente sobre tudo aquilo que nos rodeia. Acresce que, a facilidade como os indivíduos se movimentam entre o mundo 020 está a modificar a nossa perceção do tempo e espaço, diminuindo a noção de distância e da geografia, gerando uma sociedade phigital.

Vive-se no mundo em que se comparam ditaduras digitais com democracias digitais online, ambas tendo a tecnologia como sua melhor arma. As ditaduras digitais utilizam a inteligência artificial, o reconhecimento facial e a censura dos conteúdos de uma forma incontornável. Por sua vez, o bloco ocidental acredita na promoção da democracia e dos direitos humanos, criticando veementemente a posição chinesa. Adicionalmente, as empresas tecnológicas domiciliadas num ou noutro bloco estão a ser impulsionadas com novos conceitos de liderança.

As lideranças analógicas desenvolvidas nas principais empresas incumbentes, confrontam-se com lideranças mais horizontais praticadas nas empresas data-driven, muito menos hierarquizadas ou até praticamente sem níveis estruturados. De facto, a liderança digital requer a adoção de novas formas de pensar, interpretar, orientar e relacionar com as equipas, ou seja, a atividade de liderança digital pode ser exercida tanto por chefes, mas também por chefiados, o que demonstra que mais importante que o conceito são as pessoas que desenvolvem o processo. Na realidade, o ambiente organizacional digital além de requerer uma liderança mais horizontal do que vertical, pressupõe sobretudo a adaptabilidade e flexibilidade. De facto, nas organizações digitais moderadas, uma maioria dos recursos humanos são trabalhadores do conhecimento, e neste ambiente mais igualitário os títulos e as hierarquias são irrelevantes. Recorre-se única e exclusivamente a regras, mantendo-se, na sociedade digital não hierarquizada o Princípio de Peter, mas de forma adaptada à nova realidade de trabalho em equipa.

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