Deve voltar a ser criada uma entidade municipal de turismo?
A questão não é se o turismo da Figueira da Foz merece uma estrutura organizada, mas em que condições essa estrutura pode ser criada de forma autónoma, responsável e sustentável.
A experiência anterior foi uma aposta conceitualmente válida: dotar o município de um instrumento ágil para promover a Figueira e captar grandes eventos nacionais e internacionais. Porém, o modelo financeiro encontrado não acompanhou a ambição. É dessa lição que devemos partir, sem julgamentos, mas aprendendo com os erros.
A entidade municipal de turismo dificilmente gera receita própria que supere os custos. O retorno dos eventos existe, mas não entra diretamente na conta de quem investiu: é, na sua maioria, indireto – para a hotelaria, restauração e comércio local. Equacionar uma nova entidade será possível, mas apenas com determinadas condições, para que não dependa, sobretudo, do orçamento municipal e não se torne um centro de custo público: robustez financeira do município; parceiros privados para partilha de risco — hotelaria, casino, operadores e comerciantes –; um plano de negócios com indicadores mensuráveis que mostre a progressão real para a autonomia financeira; mecanismos de prestação de contas independentes do ciclo político.
A Figueira não precisa de uma entidade para ter turismo de qualidade. Precisa de uma estratégia bem fundamentada e visão. No futuro, talvez se reúnam condições que exijam a sua criação com bases sólidas.
O passado não é um obstáculo, mas antes o melhor ponto de partida para fazer melhor.

