Assembleia participativa vai pensar o futuro do Salão Brazil em Coimbra
Fotografia: DR
O Jazz ao Centro Clube vai dinamizar uma assembleia participativa para pensar o futuro do espaço cultural Salão Brazil, face à perspetiva de obras de requalificação daquele edifício centenário na Baixa de Coimbra.
A primeira assembleia, intitulada “Ca(u)sa Comum”, decorre já neste sábado, no próprio Salão Brazil, e vai realizar-se de três em três meses para pensar o futuro do Salão Brazil, mas à boleia dessa reflexão, também a envolvente e a própria Baixa de Coimbra, disse à agência Lusa José Miguel Pereira, diretor do Jazz ao Centro Clube (JACC), entidade que gere aquela sala de concertos.
Esta iniciativa, que decorre no ano que se celebram 100 anos de um edifício que conheceu múltiplas ocupações (pensão, salão de jogos, padaria ou restaurante), vai contar com mais de 20 participantes, entre vizinhos, comerciantes, estudantes do secundário e universitários, residentes da Baixa, representantes de entidades da cidade e algumas pessoas escolhidas por uma chamada (‘open call’) feita recentemente.
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Além desses mais de 20 participantes, a assembleia irá contar com um facilitador, um relator e um guardião do processo, assim como uma roda de observadores e estudantes de sociologia aplicada.
As assembleias não têm um “limite temporal” e poderão continuar a decorrer mesmo depois das obras almejadas para o edifício estarem concluídas, notou José Miguel Pereira.
Com esta iniciativa, o próprio JACC sofreu uma alteração estatutária para permitir que haja capacidade de decisão da assembleia, que irá “influir no desenho do programa artístico” do Jazz ao Centro e, por inerência, do Salão Brazil.
“Essa mudança não extingue os órgãos sociais do Jazz ao Centro. Pode limitar o papel dos programadores, mas isso é bem encarado da nossa parte, visto é que uma mais-valia poder ter um espaço cuja programação responde aos desejos da comunidade e não apenas aos desejos dos órgãos sociais” do JACC, disse.
A assembleia poderá também apresentar recomendações e pareceres sobre a ocupação e usos a dar ao edifício, que serão encaminhadas para o município, acrescentou.
Segundo José Miguel Pereira, ainda não há um calendário público para as obras naquele espaço, cuja loja de vestuário que ocupa o rés-do-chão do edifício comprado pelo município em 2019 será desocupada no final de maio.
O diretor do JACC recordou que esta assembleia dá seguimento a uma primeira etapa de processo participativo desencadeada em 2025, que resultou num relatório e numa proposta de programa preliminar das obras.
Para o andar térreo que agora será desocupado, José Miguel Pereira referiu que esse programa aponta para um uso sociocultural do mesmo, mas que não há consenso sobre a sua ocupação futura.
“No que diz respeito aos andares superiores, há mais graus de certeza. A sala de espetáculos deverá ficar no primeiro andar, mas não ficou absolutamente fechado e foi consensual que a valência de residência e alojamento artístico [no 2.º andar] é fundamental e deveria servir o Salão Brazil e outras entidades”, disse.
Apesar desse programa preliminar, José Miguel Pereira considerou que a assembleia poderá voltar aos usos de cada parte do edifício e apresentar novas propostas.
“O que nos interessa é que esta discussão aconteça sobre o que pode ser um equipamento cultural, mas a partir de discussões profundas com as comunidades”, vincou.

