“Agora que há uma marca Politécnico, é preciso encontrar uma boa relação com a Universidade”
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Foi presidente do Conselho Geral do Politécnico de Coimbra durante quatro anos, entre 2021 e 2025. Que balanço que faz destes quatro anos?
Quando o Jorge Conde me telefonou para ver se queria fazer parte da lista do Conselho Geral que ele ia propor, eu aceitei. Na altura era deputada no Parlamento Europeu e quis devolver um bocadinho à cidade aquilo que a cidade me deu. Aceitei porque tinha tempo e não tinha incompatibilidades como tinha quando estava no Governo.
Também procurei, enquanto estive no Parlamento Europeu, ter um pé cá e outro pé lá, ou seja, não perder a ligação com o território nacional e local. Dias mais tarde após convite, desafiou-me para ser presidente. Como já lá estava, era impossível recusar e aceitei.
Nessa altura, conhecia o presidente do Politécnico de Coimbra?
Conhecia o Jorge Conde, mas não pessoalmente. Não era uma pessoa das minhas relações de proximidade, mas para mim foi a melhor surpresa. Digamos que foi uma sorte que me saiu poder trabalhar com ele durante estes quatro anos.
Porquê?
Porque eu gosto de pessoas a quem se diz assim: “vamos fazer isto”. E o “isto” é lá para cima, é uma coisa difícil, com risco de podermos conseguir ou não. E que dizem “vamos a isso”. O Jorge é assim: aceita dos desafios, ainda que sejam difíceis. Não há nada como tentar. Só no fim é que se sabe se é impossível.
Quais foram os projetos mais importantes?
Eu acho que o primeiro projeto mais importante – se é que posso chamar-lhe assim –, é que antes não havia um Politécnico de Coimbra e agora há. Antes havia escolas e isso para mim também foi uma surpresa. Nós estamos habituados à Universidade de Coimbra, que tem muitas escolas, mas a marca é a da Universidade de Coimbra. Essa marca é para o exterior. Eu sou de uma escola da Universidade de Coimbra. Sou professora da Universidade de Coimbra. Essa é a marca. Ora, no Politécnico isso não era assim. Era a Agrária, que é uma escola muito antiga, muito boa. Era o ISCAC, o ISEC, a ESEC… Não havia uma marca Politécnico. Portanto, o grande desafio dele, entre muitos outros, foi construir o Politécnico. E não é só construir a marca para efeitos exteriores. É “coser” dentro da escola, dentro do instituto, para que as pessoas usassem a marca, para que colocassem a marca Politécnico de Coimbra acima da sua marca individual. O grande desafio, neste momento, é a continuidade. Porque se isto não continuar a ser “amarrado”, as coisas podem sempre voltar para trás e não se consolidar.
Pode ler a entrevista completa na edição impressa e digital do dia 09/07/2025 do DIÁRIO AS BEIRAS
