Jovem promessa Nathan Corbet com ligação à Figueira da Foz
Fotografia: DR
O escocês Nathan Corbet, o mais jovem da equipa júnior de velocidade da Federação Portuguesa de Automobilismo e Kart (FPAK Junior Team), ainda não tem carta de condução e vai de autocarro para a escola.
Em Portugal há quatro anos, Corbet é um dos quatro jovens talentos que integram, esta época, aquela equipa, sendo o mais jovem piloto do grupo, ainda menor de idade, com 17 anos cumpridos em 01 de janeiro.
Natural de Glasgow – veio para Portugal com a família aos 13 anos -, os carros de competição só existiam na sua vida nos jogos de consola, e, ocasionalmente, numa ida a um kartódromo local.
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Nessa idade ganhou como prenda de aniversário dos pais, ainda na Escócia, um volante com mudanças para as corridas que disputava na consola Xbox, a maneira que tinha de aprender a conduzir os automóveis de competição, especialmente os mais potentes da classe GT3, a sua preferida e na qual sonha correr regularmente, um dia.
A mãe, Ruth, admitiu à Lusa ser difícil equilibrar o gosto do filho pelos carros de competição com as obrigações diárias – concretamente as escolares -, tendo este decidido estudar multimédia na escola profissional de Montemor-o-Velho, mas notou que desde pequenino sempre quis ser piloto de competição e verbalizava-o.
“E sempre lhe fomos dizendo que sim, mas que havia outras coisas que tinha de fazer. Só que as corridas de automóveis sempre lá estiveram”, reconheceu.
O pai, Dave, recordou que a família optou por dar pequenos passos de cada vez na possível carreira de Nathan: “Primeiro um simulador e veremos o que sucede, depois um kart e, o ano passado, o plano era pô-lo num carro de competição, em fevereiro, para talvez fazer uma corrida, uma apenas”.
Foi a partir do karting em Portugal que surgiu um convite para testar em circuito pela primeira vez, com o apoio do projeto Estoril Racing Lab (uns mais ‘normais’ Honda Jazz e Mazda MX5), e, depois, no autódromo do Algarve, em Portimão, com um Caterham, uma experiência que Nathan definiu como “um bocado insana”, pela potência e caraterísticas do carro, “que não tem controlo de tração nem sistema de travagem ABS” e as especificidades da pista algarvia.
No ano passado, cumpriu a primeira época competitiva ‘a sério’ no troféu Caterham Motorsport Iberia, após uma proposta para fazer todo o circuito ibérico, que incluiu, além do Estoril e Portimão, três provas em Espanha e uma em Zandvoort, o histórico circuito nos Países Baixos.
“Zandvoort é espetacular, mas foi muito perigoso. Meteram 40 carros naquela pista tão pequena e foi um susto”, observou, enquanto o pai, perante as imagens do sistema de vídeo, confessou que se sentiu aterrorizado.
Quando chegou à Figueira da Foz, o jovem escocês estudou numa secundária local – quatro anos depois expressa-se quase corretamente em português -, e, findo o 9º ano de escolaridade, há dois anos, foi estudar para o vizinho município de Montemor-o-Velho, cumprindo os 40 quilómetros de ida e volta de autocarro, porque, sendo menor de idade, carta de condução só tem a desportiva, que lhe permite competir.
Uma das diferenças para um jovem da sua idade sucede quando regressa a casa: além de eventuais trabalhos escolares, a obrigação passa pelo treino diário, em simulador de condução do novo BMW M2 Racing, uma ‘bomba’ de 313 cavalos de potência e 270 km/h de velocidade máxima, com que vai disputar, integrado nos dois carros da FPAK Junior Team de velocidade, a BMW M2 Cup Iberia.
A primeira prova da equipa nacional acontece em junho (em Jarama, 30 km a norte de Madrid), num total de quatro provas e oito corridas, a última das quais em dezembro, no Estoril.
No entanto, já entre sexta-feira e domingo, em Portimão, incluído na programação do Iberian Racing Festival, o jovem escocês irá partilhar o volante de um BMW M4 GT4, na categoria de GTX, como preparação para a nova época competitiva, numa corrida de 50 minutos de duração.
A ligação de Nathan Corbet à Figueira da Foz reforçou-se, recentemente, pela ideia surgida no seio familiar de que o jovem poderia representar as cores de um clube local. E assim irá suceder, a partir da corrida de Jarama, com o Ginásio Clube Figueirense, o clube desportivo mais antigo da Figueira da Foz em atividade, cujo emblema o jovem piloto vai ostentar no seu capacete.

