Opinião: Eleições nos Países Baixos: vitória do centro e fim do domínio da extrema-direita
As eleições legislativas efetuadas no passado dia 29 de outubro de 2025 marcaram uma reviravolta importante na política neerlandesa. Depois de um governo liderado pela extrema-direita de Geert Wilders (PVV), o eleitorado optou por re-centrar o rumo do país. A vitória ficou nas mãos dos liberais-progressistas do Democrats 66 (D66), chefiados por Rob Jetten, que conquistaram 26 assentos no parlamento de 150 lugares.
O PVV de Wilders, embora ainda relevante, sofreu uma forte recaída, também ficando com 26 assentos, mas perdendo mais de dez em relação à legislatura anterior. O cenário após o resultado é de um empate técnico, refletindo uma sociedade dividida, mas também cansada da retórica populista. Outros partidos, como o VVD (liberais de direita) e o GroenLinks-PvdA (aliança dos verdes e do partido trabalhador), mantiveram desempenhos estáveis, essenciais para as futuras negociações.
Sem maioria absoluta, a formação de uma coligação será inevitável e complexa. Rob Jetten sinalizou a intenção de construir uma aliança “moderada, europeísta e virada para o futuro”, enquanto vários líderes rejeitaram qualquer parceria com Wilders.
A participação eleitoral elevada mostrou o forte envolvimento cívico num momento decisivo. Especialistas veem o resultado como um recuo da onda populista que marcou a política europeia nos últimos anos.
Com as negociações de coligação a iniciar-se nos próximos dias, os Países Baixos enfrentam agora um período de incerteza, mas também de uma renovada esperança num governo mais estável.
Pode ler a opinião de Carlos Figueiredo, que reside em Haia, Países Baixos, na edição impressa e digital de hoje, 05/12/2025, do Diário As Beiras
