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Opinião: Eleições nos Países Baixos: vitória do centro e fim do domínio da extrema-direita

05 de dezembro de 2025 às 12 h30

As eleições legislativas efetuadas no passado dia 29 de outubro de 2025 marcaram uma reviravolta importante na política neerlandesa. Depois de um governo liderado pela extrema-direita de Geert Wilders (PVV), o eleitorado optou por re-centrar o rumo do país. A vitória ficou nas mãos dos liberais-progressistas do Democrats 66 (D66), chefiados por Rob Jetten, que conquistaram 26 assentos no parlamento de 150 lugares.
O PVV de Wilders, embora ainda relevante, sofreu uma forte recaída, também ficando com 26 assentos, mas perdendo mais de dez em relação à legislatura anterior. O cenário após o resultado é de um empate técnico, refletindo uma sociedade dividida, mas também cansada da retórica populista. Outros partidos, como o VVD (liberais de direita) e o GroenLinks-PvdA (aliança dos verdes e do partido trabalhador), mantiveram desempenhos estáveis, essenciais para as futuras negociações.
Sem maioria absoluta, a formação de uma coligação será inevitável e complexa. Rob Jetten sinalizou a intenção de construir uma aliança “moderada, europeísta e virada para o futuro”, enquanto vários líderes rejeitaram qualquer parceria com Wilders.
A participação eleitoral elevada mostrou o forte envolvimento cívico num momento decisivo. Especialistas veem o resultado como um recuo da onda populista que marcou a política europeia nos últimos anos.
Com as negociações de coligação a iniciar-se nos próximos dias, os Países Baixos enfrentam agora um período de incerteza, mas também de uma renovada esperança num governo mais estável.

Pode ler a opinião de Carlos Figueiredo, que reside em Haia, Países Baixos, na edição impressa e digital de hoje, 05/12/2025, do Diário As Beiras

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