Opinião: ESCOLA / escola
Dou continuidade ao que escrevi aqui há um mês: fomos a votos e temos governo! Diz quem sabe que estamos perante um governo de continuidade, particularmente evidente com a manutenção da senhora Ministra da Saúde que, de tanto contestada, poderá ganhar um lugar vitalício nos governos do século. Novidade é a senhora Ministra da Cultura, de quem não se conhece especial vocação para a área, mas se espera rápida reciclagem. Verdade seja que tendo de se repartir pelas pastas da Juventude e do Desporto, presume-se que alguma coisa poderá ficar para trás e oxalá não seja mesmo a Cultura. Veremos!
Herda a pasta da Educação o próprio que já era; e aqui sim, recebe-se com expectativa positiva a sua reentrada. Por um lado, porque o senhor Ministro Fernando Alexandre foi capaz de dar alguma distensão ao setor, respondendo de forma parcial mas positiva às reivindicações dos professores. Por outro lado, porque já vi manifestações de consideráveis figuras da área com algum entusiamo com a sua recondução no cargo. Confesso que partilho dessa expectativa, tanto mais que acredito que até ao final da legislatura (se ela durar quatro anos) o senhor Ministro conseguirá saber quantos alunos ficaram sem aulas durante o ano letivo de 2024/25. Essa hercúlea tarefa chegará para provar o acerto da sua nomeação.
Entretanto está a chegar o tempo das cerejas, perdão, dos ranking escolares, coisa que muito entusiasma alguma comunicação social e núcleos de educadores que neles veem o top dos top da caracterização das escolas. Só por pudor esses entusiastas dos ranking não usam a expressão de CLASSIFICAÇÃO das escolas.
Mas vamos ao que interessa neste momento em que acabou o debate sobre o programa do Governo. O programa aponta para a possibilidade de impedir a entrada nos estabelecimentos de ensino de telemóveis de que são portadores os alunos dos 1º e 2º ciclos. Controversa, sem dúvida, mas que me parece deverá merecer o apoio de todos os que acreditam numa Escola a quem cabe prosseguir um trabalho que começa em casa, no seio de cada família. Ou seja, não cabe à escola dar o babá da educação, mas sim completar o que à sociedade compete: a formação cívica e cultural para a vivência de todos numa sociedade democrática, com princípios e com valores.
Um pouco por quase todo o mundo, ao longo das últimas dezenas de anos, as famílias “delegaram” nos professores dos seus filhos a parte educacional que cabe a cada agregado familiar. A Escola substituta dos pais? Não! A Escola parte ativa da Educação dos membros mais novos das sociedades.
As recentes notícias de que a Polícia Judiciária desmantelara (ou quase) uma quadrilha de perigosos nazis que se preparavam para fazer assaltos à Democracia deve pôr na ordem do dia a magna questão de que a Escola tem de dar aos que a frequentam uma informação cuidada e verdadeira, de modo a preparar os jovens cidadãos para a vivência numa sociedade democrática, rejeitando as notícias falsas que as redes sociais divulgam abundantemente.
Acrescento a alarmante notícia de que em França um jovem aluno de 14 anos matou à facada uma jovem assistente educativa de trinta e poucos ano. O que nos leva a perceber que estas preocupações são universais e que reforçam o que acima digo: exigimos urgentemente uma Escola de verdade, informativa e digna. Para além das lágrimas que familiares e amigos verterão, era interessante saber como a família do jovem encarou este ato de loucura e maldade de quem ainda está a crescer.
Até que ponto a escola se transformou num espaço de frustrações, local para onde se transferem as cargas das famílias que vivem à espera de uma vida melhor! A Escola, que deveria ser um elevador social, está a transformar-se numa cave funda onde habitam e se tornam visíveis muitas frustrações e desejos insatisfeitos.
Some-se o resultado da ação que a PJ levou a cabo e muitos destes desencantos e aceite-se que a Escola tem mesmo de ser ESCOLA e não escola: informar com verdade, dar aos que lá trabalham os estatutos que merecem, dar às Famílias o que lhes cabe nesta tarefa ingrata, mas bonita de formar cidadãos. Vamos a isso!
