Opinião: Economia Digital
Gottfried Leiboniz inicia, em 1679, o desenvolvimento da aritmética binária, que se exponencia, em meados do século XX, com a computação e os seus requisitos de armazenamento, processamento e transparência de dados. Esta profunda mutação e transferência da tecnologia mecânica e eletrónica para a digital é a génese e âmago da atual revolução digital. Para se ter uma ideia completa deste fenómeno refere-se que, em 1986, 99,2% da capacidade de armazenamento mundial era analógica, e que, em 2007, 94% do volume mundial de armazenamento de informação expressa-se no digital, enquanto o volume de transações tende a aumentar, em 2025, para 80%.
A digitalização de objetos e ativos viabiliza às organizações condições para realizar a digitalização. Nas empresas, os dados e os respetivos ativos são processados por meio da tecnologia digital avançada, o que impacta nos processos de negócio, dos quais, por sua vez, podem resultar novos modelos e negócios e mudanças sociais, ou seja, a digitalização é o processo de migrar para um negócio digital. Esta alteração tecnológica tem subjacente novos pensamentos e abordagens, bem como novas experiências e cadeias de valor colaborativas, interativas, sustentáveis e lucrativas. A transformação digital tem um impacto importante na economia global e no acesso ao mercado, que, conjuntamente, com a Internet e o avanço tecnológico, deram origem à economia digital, também frequentemente conhecida como economia da Internet, nova economia ou economia da web.
O termo economia digital foi, pela primeira vez proferido no Japão e cunhado nos Estados Unidos, em 1995, por Dan Topacott, no livro “The Digital Economy: Promise and Peril In The Age of Networked Intelligence”. Mais recentemente, a nova economia, as redes sociais e a infraestrutura de comunicação oportunizaram uma plataforma global, na qual os indivíduos e as empresas desenvolvem estratégias, comunicam, colaboram e procuram informação. Deste modo, a economia digital aparece conceituada como o ramo da economia que estuda os bens digitais, ou seja, os bens intangíveis, que, na rede, têm um custo marginal zero.
A economia digital reflete essencialmente a transferência das transações comerciais, que antigamente eram feitas de forma analógica, para o meio digital, metamorfose que faz emergir novas oportunidades e desafios para as empresas. O âmbito da economia digital abarca, no seu perímetro, as atividades económicas que utilizam tecnologias de computação digital, o que significa produtos e serviços baseados no ambiente digital.
É costume integrar no conceito de economia digital 3 componentes essenciais: infraestruturas de e-business, o e-business e o e-commerce.
A infraestrutura é o conjunto dos recursos tecnológicos que viabilizam a coleta, o processamento, o armazenamento, a transmissão e o consumo dos dados digitais, e divide-se em 5 categorias de elementos principais: computação, armazenamento, conectividade da rede, gestão de dados e plataformas. O e-business é o acrónimo de electronic business, que significa negócio eletrónico, e representa uma empresa que realiza e desenvolve os seus processos de negócio na internet. Efetivamente, uma empresa e-business assume-se como uma empresa totalmente digital ou que migrou do mundo analógico para o digital. No que tange ao terceiro componente, designado por e-commerce, envolve negócios que estruturam o processo de compra e venda na Internet.
Nesta envolvente, todas as transações comerciais são realizadas, na íntegra, por ferramentas online, que refletem a digitalização integral de dois processos básicos de negócio: venda e atendimento ao cliente. O termo e-business abarca o negócio como um todo, sendo todos os seus processos realizados online. Em contrapartida, o e-commerce engloba exclusivamente transações comerciais. Os termos não são, deste modo, intercambiáveis. O e-business representa um modelo de negócio totalmente digitalizado (Netflix, por exemplo), ultrapassando, como corolário, a troca de informações relacionadas com produtos e serviços associados aos clientes e aos fornecedores, o que significa que o e-business engloba a automação dos processos internos de negócio, alavancando o crescimento das empresas mediante a aplicação de informações e tecnologias.
Desta maneira, o e-business é algo mais abrangente no meio digital, enquanto e-commerce pode ser visto como uma importante parcela do e-business, apesar de se limitar às transações financeiras ou à compra e venda de produtos e serviços. Estima a ACEPI (Economia Digital Portugal) que o comercio eletrónico (B2C + B2B) valha aproximadamente 143 mil milhões de euros em 2023, o que corresponde a aproximadamente 50% do PIB Português de 2024 ( 284,9 mil milhões de euros).


