Opinião: Coimbra – Uma Visão de Futuro
Se é verdade que Coimbra foi, durante largos e importantes anos da sua riquíssima História, um polo de intervenção politica e cultural, moradia de ilustre figuras que por cá passaram (visite-se a Sé Velha) – e sendo verdade que umas por cá ficaram e outras partiram, também o é que existe actualmente a ideia de uma certa incapacidade de fixar os seus filhos mais notáveis, e até, os que não o são. E quer num caso, quer no outro, fica a cidade bonita a perder – perde peso e massa crítica, perde influência e fulgor.
Terão assim os Poderes, sejam eles quais forem, a responsabilidade de delinear estratégias que permitam segurar quem cá nasce e quem por cá passa, acrescentando à importância que ela deve ter. E se até determinada altura, a âncora da sua relevância assentava quase exclusivamente na Universidade e suas valências, hoje teremos, forçosamente, que olhar para Coimbra de forma diferente.
Equidistante das revigoradas aldeias de xisto e do mar, quero vê-la a abraçar a Lousã e a Figueira, garantindo acessos fáceis, rápidos e confortáveis, que prendam quem a visite, transformando a pernoita de um dia em mais, a bem do sector do turismo, da restauração e hotelaria.
Temos assistido a uma progressiva mas lenta revigorização da baixa Coimbrã, coração da cidade e espaço fundamental para desenvolver múltiplas actividades. Aqui, muito para andar.
Plena de juventude estudantil, imagino um parque verde dinamizado e orientado para a prática consistente de desportos náuticos, seguro e bem tratado, lugar de lazer e passeio – cidades com um espelho de água assim não são merecedores de menos. Por falar em desporto, lembrar que a sua dinamização e incentivo é empresa capital: não só pela visibilidade e engrandecimento da marca Coimbra, como pelas múltiplas virtudes adstritas associadas.
Assim, do Estádio Universitário, passando pelo CSF e muitas outras infraestruturas que temos a “sorte” de ter, só poderei imaginar, e naturalmente esperar, profícua actividade desportiva e cultural, aos mais variados níveis.
E se na Saúde nunca deixámos de ser uma referência de considerável importância, muito vejo e ouço haver que fazer e repensar.
Não penso que sejamos uma cidade de vocação industrial, mas até nesta área será importante assegurar mínimos, incentivando a fixação de empresas e alocando emprego – formamos muitos jovens que depois perdemos e que muita falta fazem: afinal a apregoada natalidade, não é, também, filha do bem-estar?
Não preciso das menções honrosas da Forbes, ou da Times, nem das referências do Portugal City Brand Ranking, para olhar a cidade com a imperativa esperança que ela me obriga a ter. Vivemos num pedacinho de mundo aprazível e bem dotado, ao qual só poderá caber em sorte gente que o pense com alcance e elevação, cumprindo assim o seu fado – destino – o de uma cidade deslumbrante onde nos orgulhamos viver.
Muito fica por dizer. Muito foi feito. Muito falta ainda fazer.
Haja quem e uma coisa é certa – Coimbra incorpora todas as condições para poder ser uma Urbe invejável, plena de qualidade de vida, incontornável e apetecível.

