“Verão a Dois Tempos” de volta à Baixa de Coimbra com mais de 100 iniciativas
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O ciclo de programação “Verão a Dois Tempos” volta para ocupar a Baixa de Coimbra durante todo o verão com mais de 100 iniciativas, entre concertos, oficinas e uma exposição, numa “verdadeira festa das artes”, afirmou hoje o município.
Uma exposição da coleção do Centro de Artes Visuais (CAV) num edifício abandonado, um encontro no Largo do Romal com a comunidade imigrante que vive na Baixa, oficinas ou concertos de artistas locais, nacionais e estrangeiros na Praça do Comércio, na Estação Nova e no Largo do Poço são algumas das propostas do “Verão a Dois Tempos”, que arranca a 21 de junho e que se estende até 20 de setembro.
O programa, que tem um foco na música, mas que se assume como “multidisciplinar”, volta a ser desenhado “com o tecido cultural local”, numa parceria da Câmara de Coimbra, com o Jazz ao Centro Clube (JACC), Associação Há Baixa, CAV e Blue House, disse o chefe de Divisão da Cultura da Câmara de Coimbra, Rafael Nascimento, durante a apresentação do evento.
“Estamos a pensar numa festa das artes para a Baixa de Coimbra. Em alguns momentos, haverá programação de terça-feira a sábado”, adiantou, referindo que o projeto foi pensado em conjunto “com metodologias participativas, em que a Câmara não impõe uma determinada agenda, mas chama estruturas para desenhar um projeto”.
No âmbito do programa, o CAV vai apresentar uma exposição a partir da sua coleção num espaço abandonado junto à Estação Nova que foi adquirido por um grupo hoteleiro de Coimbra, com obras ligadas “à música e à festividade”, face ao espaço, pintado com várias cores e que remete para a ideia de uma discoteca dos anos 60, explicou Jorge Simões, daquela entidade.
Já o JACC, que gere o Salão Brazil, irá levar a sua programação para o Largo do Poço, com a presença de artistas como Mostafa Anwar, Sana Chissoko ou Helena Sarmento, com concertos todas as quintas-feiras, às 19:00, entre agosto e setembro, explicou Adriana Ávila.
A produtora Blue House, que já assegura ao longo do ano o ciclo de programação Café Curto, no Convento São Francisco, transforma-o agora num “Café Longo”, às terças-feiras, às 19:00, permitindo estender essa curadoria para géneros musicais e formatos que é mais difícil de programar no Café Concerto.
Segundo João Silva, da Blue House, além deste ciclo, a produtora fica também responsável pelo Epicentro, que vai acontecer a 25 e 26 de julho e a 05 e 06 de setembro, aproveitando espaços como o terraço da TUMO, o Mercado Municipal e a Estação Nova, numa programação que se estende em cada fim de semana até às 02:00.
Na Praça do Comércio, a Câmara de Coimbra irá também assegurar um palco para os músicos de Coimbra, com concertos às sextas-feiras e sábados, onde irão atuar, entre outros, The Twist Connection, Fitacola, Líquen, Beatriz Villar e Victor Torpedo.
No caso da Há Baixa, haverá trabalhos sobretudo relacionado com a criação artística a partir de práticas comunitárias, tendo como palco o Largo do Romal, indicou Catarina Pires, daquela associação.
Entre as propostas, há um encontro com os imigrantes que vivem na Baixa, espetáculos para crianças, um concerto do Coro BaixaVoz, uma visita de uma artista do hip-hop que irá mostrar a poesia que há nas ruas daquela zona da cidade e um dispositivo chamado “Museu Transportável” que vai recolher histórias e objetos das pessoas da Baixa, afirmou.
Segundo o presidente da Câmara de Coimbra, José Manuel Silva, o “Verão a Dois Tempos” passou de um orçamento de 43 mil euros, em 2023, para 150 mil euros neste ano, vincando a necessidade de uma cultura que não seja determinada de cima para baixo, “mas feita com os parceiros, envolvendo os atores da cultura e criando sinergias”.
O autarca destacou ainda o papel da cultura para a revivificação da Baixa de Coimbra, considerando que está “reunido um caldo interessante e estimulante” para o efeito, num projeto “eclético, provocante e rebelde”.
A programação completa pode ser consultada em veraoa2tempos.pt
