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Uma cidade para quem vive, trabalha e visita

12 de setembro de 2026 às 10 h45

Falar de turismo é cada vez mais, também, falar de cidades. Do seu planeamento, ordenamento e funcionamento. É falar do seu viver! Nas questões relacionadas com o turismo não podemos falar apenas de visitantes, hotéis, monumentos ou número de dormidas. Uma cidade é, antes de tudo, um espaço vivido. Tem residentes, comerciantes, estudantes, trabalhadores, crianças e idosos. É a dimensão humana que deve estar no centro do planeamento e do ordenamento quando se pretende definir o futuro turístico de um território.

O turismo pode revitalizar cidades, gerar emprego, recuperar património, dinamizar o comércio e afirmar destinos. Mas, quando cresce sem planeamento, pode também contribuir para a descaracterização dos centros urbanos, pressionar a habitação, alterar a atividade comercial e criar conflitos entre a utilização turística e a vida quotidiana. Por isso, a pergunta essencial não deverá ser apenas quantos turistas queremos, mas sobretudo que cidade queremos construir e para quem. Reitero a ideia já aqui deixada noutras ocasiões: mais turismo tem de significar melhor turismo!

Coimbra constitui um excelente exemplo desta equação. Universidade, Alta e Sofia – Património Mundial, a Baixa, o Mondego e suas margens, Santa Clara, a religião (ou religiões), a ciência, a gastronomia, a saúde, a literatura e o desporto, sem querer ser exaustivo, fazem da cidade um território singular, para quem cá vive e para quem nos visita. Coimbra não precisa, necessariamente, de procurar ser mais uma cidade de turismo massificado. Precisa de afirmar aquilo que a diferencia.

Nenhuma estratégia turística será verdadeiramente sustentável se não for também uma estratégia para os residentes e para o comércio local. O comerciante da Baixa não pode ser visto apenas como beneficiário indireto do turismo, é parte da identidade da cidade. E o residente não pode ser encarado como alguém que tem de se adaptar às necessidades do visitante. O turismo deve adaptar-se à cidade e contribuir para a sua qualidade de vida.

É neste contexto que a atual transformação da mobilidade de Coimbra ganha particular importância. O Metrobus (Metro Mondego) entrou em operação preliminar em 2025 e, há dois dias apenas, avançou já para a ligação à estação de Coimbra-B e à Praça da República. Esta última operação implica uma importante e necessária reorganização da circulação automóvel na Baixa da cidade e áreas confluentes, onde se destaca a alteração do papel da Rua da Sofia, que deixa de funcionar como “apenas” um eixo de atravessamento para o trânsito geral da cidade e é “devolvida” a quem ali mora e trabalha e a quem ali pretende passear e fruir dos respetivos espaços.

Coimbra está, portanto, perante uma oportunidade rara: repensar simultaneamente a mobilidade, o espaço público, o comércio, a habitação e o turismo. O desafio não é escolher entre residentes e turistas, entre automóveis e peões, ou entre património e desenvolvimento. É encontrar um equilíbrio inteligente entre todos.

Uma cidade verdadeiramente turística não é aquela onde os turistas se sentem melhor. É aquela onde os turistas gostam de estar porque as pessoas que lá vivem gostam de lá viver.

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