Bebidas frescas com vinho
Chegados a setembro, cheira ainda a lazer e descontração. O convívio com os amigos e as noites quentes convocam para partilhar bebidas refrescantes de pouco teor alcoólico para prolongar um fim de tarde ou um princípio de noite ao sabor de um petisco. Para isso nada melhor acompanhar o momento com uma Sangria à portuguesa ou com uma Água de Valência, esta menos conhecida por nós, mas muito agradável.
A tradição de juntar frutas e outros aromáticos ao vinho para o tornar mais agradável não é dos nossos tempos. Temos de recuar até ao período romano onde já se aromatizava o vinho com especiarias, rosas, frutos, mel para adoçar, e água. Por norma, a uma parte de vinho juntavam-se duas a três de água, pois o que se pretendia era uma bebida fresca aromática e não uma bebida forte. Já na Idade Média outro vinho aromatizado muito conhecido era o “hypocras”, ao qual se adicionavam especiarias e mel, que, mais tarde, por volta do século XIV, seria substituído pelo açúcar (que alterava menos o sabor das especiarias), deixando-se repousar para apurar os sabores. Era consumido geralmente no final das refeições, julgando-se, neste período, que as especiarias e o açúcar ajudavam à digestão. Existem várias receitas conhecidas de “hypocras”, em que as especiarias usadas e as quantidades utilizadas variavam conforme o gosto de quem registava a receita. Tal como hoje acontece com a sangria, um outro tipo de vinho aromatizado, para a qual encontramos variadíssimas receitas.
A sangria tem as suas origens na Península Ibérica, com uma forte ligação a Espanha, sendo mencionada no “Dicionário da Real da Academia Espanhola”, em 1803, como sendo uma “bebida refrescante feita de água e vinho com açúcar e limão ou outros ingredientes adicionais”. Desde 2014, para proteger o património histórico e gastronómico da Península Ibérica, a União Europeia limitou o uso da denominação de “sangria” a bebidas de vinho aromatizado produzidas exclusivamente em Portugal e Espanha.
Existem inúmeras variações da sangria. Tradicionalmente é feita com vinho tinto, açúcar, laranja, limão e maçã, sendo aromatizada com pau de canela e folhas de hortelã e finalizada com uma limonada gaseificada. Outras fórmulas adicionam um pouco de licor à base de ervas para aromatizar. Com as alterações nos hábitos de consumo, atualmente é feita recorrendo a diferentes tipos de vinhos (brancos, rosados, espumantes), adicionando-se frutos exóticos e bebidas espirituosas, resultando, muitas vezes, em uma bebida excessivamente alcoólica. A sangria requere-se fresca, suave e pouco alcoólica, ideal para os dias quentes e não só.
Uma outra variante deste tipo de bebidas, menos conhecida entre nós, é a água de Valência. Criada por Constante Gil, proprietário do café Madrid no bairro de El Carmen em Valência, em 1959, surge de um desafio dos seus clientes para criar uma bebida nova. Constante Gil combinou o sumo natural das laranjas de Valência com o vinho Cava (espumante), gin, vodka, licor de laranja e açúcar e servido bem fresco. Uma bebida em que o álcool acaba por ser encoberto pela suavidade e doçura das laranjas da região, sendo possível diminuir o teor alcoólico da bebida retirando a vodka, não alterando em nada a sua estrutura e sabor. O que tinha começado por um desafio de clientes tornou-se numa bebida apreciada por quem hoje passa por Valência.
Estas duas bebidas, encontram na nossa região o lugar ideal para terem sucesso visto que Coimbra é pródiga em produtos de qualidade para as preparar.
Aproveite o melhor na companhia dos amigos, mas beba com moderação.