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Serviços de saúde, liderança e meritocracia

15 de julho de 2026 às 10 h15

Os serviços de saúde enfrentam hoje desafios complexos. A insuficiência de recursos humanos, financeiros e tecnológicos continua a limitar a sua capacidade de resposta, tornando indispensável um investimento sustentado. Contudo, uma análise mais abrangente do funcionamento dos serviços de saúde exige igualmente considerar a qualidade das lideranças, a forma como os serviços são organizados, a cooperação entre profissionais e o envolvimento da comunidade. Considerar a natureza multifatorial destes processos e as interações entre os diferentes fatores constitui um contributo adicional para compreender porque é que organizações confrontadas com limitações semelhantes conseguem, por vezes, obter resultados diferentes.

A qualidade dos cuidados constrói-se diariamente através da interação entre profissionais, equipas, lideranças e cidadãos. Quando estes elementos se reforçam mutuamente, criam-se condições para melhorar continuamente a capacidade de resposta dos serviços de saúde. Quando isso não acontece, instala-se uma dinâmica que fragiliza a motivação, reduz a confiança e limita a capacidade de evolução das organizações.

Talvez seja, por isso, tempo de refletir sobre a forma como escolhemos quem lidera nos serviços de saúde. A liderança não deveria resultar apenas de um procedimento administrativo ou da apreciação de um currículo. Deveria assentar em três pilares fundamentais: competência, confiança e resultados.

Competência para definir uma visão, tomar decisões e mobilizar equipas. Confiança para criar um ambiente de cooperação, responsabilidade e compromisso. Resultados, porque liderar implica prestar contas e demonstrar que as decisões tomadas melhoram a organização e os cuidados prestados aos cidadãos.
A escolha das lideranças também não deveria depender exclusivamente de um único interveniente. O poder político tem a legitimidade para definir a estratégia e os objetivos do sistema. As organizações conhecem melhor do que ninguém a sua realidade e as competências de que necessitam. Importa igualmente refletir sobre o papel que a comunidade pode desempenhar na avaliação e na melhoria contínua dos serviços de saúde.

Conciliar estas diferentes perspetivas, através de processos transparentes e de critérios objetivos, poderá conduzir a decisões mais sólidas e mais sustentáveis.
Reforçar os recursos é indispensável. Mas melhorar a capacidade de resposta dos serviços de saúde passa igualmente por criar condições que permitam potenciar os recursos disponíveis e valorizar os profissionais. É neste contexto que a meritocracia deixa de ser um conceito abstrato para se afirmar como um instrumento de boa governação, capaz de reconhecer, desenvolver e colocar a competência ao serviço de um objetivo comum: cuidar melhor das pessoas.

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