Coimbra

Presidente do sindicato diz que jornalistas “são escrutinados todos os dias”

13 de abril de 2026 às 16 h19
Luís Filipe Simões desafia Ana Abrunhosa, presidente da câmara de Coimbra a desafiou a presidente da Câmara de Coimbra a dizer que “violação grave à ética” fez o jornalista da Lusa João Gaspar | Fotografia: DR

O presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) sublinhou hoje que os jornalistas são escrutinados todos os dias e desafiou a presidente da Câmara de Coimbra a dizer que “violação grave à ética” fez o jornalista da Lusa João Gaspar.

“Ela [Ana Abrunhosa] questionou se os jornalistas não podem ser escrutinados. São escrutinados todos os dias, como verificamos em vários processos, ultimamente. Não podem é ser punidos ou atacados por escrutinarem quem têm de escrutinar”, disse Luís Filipe Simões à saída da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC).

“Quando nós escrutinamos o poder político, estamos a prestar um serviço à sociedade, é isso que nos exigem e é para isso que nós servimos”, acrescentou o presidente do SJ, depois de entregar uma queixa na ERC sobre os novos estatutos da Lusa.

 

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Segundo o responsável sindical, sem esse escrutínio, o jornalismo seria publicidade.

Em causa está um incidente ocorrido na última reunião camarária, na sequência da publicação de uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista da Lusa dava conta de que o espaço está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, referindo que questionou o executivo municipal, mas não obteve resposta.

O presidente do sindicato acrescentou que jornalistas “não precisam da confiança” de detentores de cargos públicos.

“Quando um detentor de um cargo público diz que retira a confiança a um jornalista, é não perceber bem o que é o jornalismo. Os jornalistas não precisam da confiança de um presidente de câmara, de um primeiro-ministro ou de um Presidente da República. Precisam de fazer o seu trabalho”, afirmou.

O presidente do sindicato defendeu João Gaspar e disse que os seus pares “veem nele um jornalista de referência que cumpre todas as obrigações que tem”.

“Seria interessante que a presidente da Câmara de Coimbra dissesse que violação grave à ética fez o João”, atirou.

Luís Filipe Simões criticou ainda o tom de Ana Abrunhosa, por considerar que tem “um tique que já não deveria existir”.

“Remete-nos para o que acontecia em ditadura, há mais de 50 anos, e isso é preocupante”, lamentou.

Na sexta-feira, na sequência deste episódio, a Direção de Informação (DI) da agência Lusa escreveu uma carta à presidente da Câmara de Coimbra “repudiando acusações” que a autarca dirigiu ao jornalista João Gaspar, durante uma reunião pública do executivo camarário.

Numa nota depois emitida, a DI da Lusa considera que as acusações feitas pela presidente da Câmara de Coimbra foram “descabidas, infundadas e difamatórias”.

A DI reiterou a sua confiança no jornalista João Gaspar, “cujo percurso de jornalismo na Lusa é irrepreensível”.

Na mesma nota, a direção acentua que João Gaspar se limitou a fazer uma notícia a propósito da Casa do Cinema de Coimbra, dando conta das preocupações do coordenador do espaço.

“Mais, procurou fazer o contraditório, pedindo esclarecimentos à Câmara. Só ao fim de nove dias publicou a noticia e mesmo assim só após ter instado pessoalmente a responsável pela comunicação daquele órgão”, acrescenta-se na mesma nota.

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