Portugal competitivo: da estratégia global à ação local (parte I)
O conceito de competitividade, introduzido nos Estados Unidos na década de 1970, é central para empresas e países: traduz a capacidade de oferecer produtos ou serviços que respondam às exigências de qualidade e preço nos mercados nacionais e internacionais.
Na atual era digital, de transformações tecnológicas rápidas e profundas, ferramentas como a Inteligência Artificial estão a otimizar processos, acelerar decisões e criar novas oportunidades para gerar valor, tornando aquele desafio ainda mais exigente, num contexto global altamente incerto e volátil.
No ranking de competitividade mundial do Institute for Management Development (IMD), Portugal situa-se em 2025 na 37.ª posição entre 69 economias, um lugar abaixo do ano anterior, mas à frente de Espanha (39.º) e Itália (43.º). Este estudo destaca pontos fortes do país como infraestruturas, educação e abertura ao comércio internacional (com classificações entre 16º e 22º lugar), e melhorias na eficiência governativa (35.º) que traduzem progressos na gestão das finanças públicas, estabilidade institucional e legislação empresarial. Apesar do desempenho razoavelmente competitivo em áreas estruturais relevantes, Portugal encontra-se, contudo, na metade inferior do ranking do IMD, devido a fragilidades persistentes, que são um forte constrangimento à atração de investimento: eficiência empresarial em queda para a 42.ª posição, que reflete baixa produtividade e práticas de gestão pouco ágeis das empresas portuguesas, política fiscal pesada (56.º) e elevada carga de impostos sobre as pessoas (66º).
O EY Portugal Attractiveness Survey 2025 confirma esta realidade – Portugal foi o 9º destino europeu mais atrativo para o investimento direto estrangeiro (IDE), com 18.376 postos de trabalho criados em 196 projetos no ano de 2024, dos quais 137 nas áreas de software e serviços de IT que colocam o país na 4.ª posição do ranking europeu do setor. Esta performance revela forte resiliência face à adversa conjuntura externa macroeconómica e política bem como o estratégico posicionamento geográfico do nosso país para a captação de IDE, sobretudo não-europeu (em particular do Brasil), mas requer uma análise mais fina. Com efeito, apesar do aumento de 21% nos projetos novos, os projetos de expansão diminuíram 50%, e apenas 60% dos investidores planeia entrar ou aumentar as suas operações em Portugal no espaço de um ano (abaixo de 84% em 2023), o que é sinal de prudência e enfoque na consolidação de investimentos anteriores.
Por sua vez, a carga fiscal é considerada um fator crítico pelos CEO inquiridos pela EY, que defendem uma redução e simplificação da tributação como condição essencial para reforçar a competitividade do país. Neste contexto, as recentes descidas de IRS e IRC representam passos positivos, e que há muito defendo, mas devem ter continuidade de forma a garantir previsibilidade e confiança aos investidores.
Outro dado significativo é o dinamismo fora das grandes áreas metropolitanas: o Centro surge como a 2.ª região mais atrativa na perspetiva dos investidores externos, apenas atrás de Lisboa, o que salienta a necessidade de uma estratégia territorial mais integrada, capaz de potenciar os recursos locais e incrementar a competitividade nacional. No próximo artigo, analisarei como os municípios podem assumir um papel decisivo no quadro deste jogo fortemente concorrencial!


Parabéns pelo artigo.
Enquadra, esclarece e aponta rumos.
Coimbra mais competitiva mais desenvolvida e com futuro.