Opinião: Um admirável mundo novo
Na sua tomada de posse como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump declarou que se iniciava uma nova era. Para já, as reacções do mundo são díspares. Os países “desde sempre” aliados dos Estados Unidos são os que se encontram mais receosos, pois só 22% dos cidadãos da União Europeia, 15% do Reino Unido e 11% da Coreia do Sul é que consideram como favorável a nova presidência de Donald Trump, ao contrário de 84% dos indianos, 51% da Arábia Saudita, 49% dos russos e 46% de chineses (dados do Conselho Europeu).
Com reflexos no resto do mundo, avizinham-se desafios no comércio, com alterações na vigente liberalização das trocas comerciais, fruto da anunciada guerra de tarifas alfandegárias. Também o meio ambiente e as alterações climáticas irão sofrer com a confessada vontade de Donald Trump em extrair cada vez mais petróleo, desconsiderando o contínuo aumento da temperatura e concentração de dióxido de carbono.
Internamente, Donald Trump já tem pela frente uma batalha legal, que se prevê longa, por causa de uma das suas primeiras ordens executivas, que põe em causa a 14.ª Emenda à Constituição, que prevê que todas as pessoas nascidas nos Estados Unidos e sujeitas à sua jurisdição são cidadãos dos Estados Unidos e do Estado em que residem. Em concreto, a ordem de Trump afirma que os filhos de não cidadãos não estão sujeitos à jurisdição dos Estados Unidos.
Pelo menos 22 estados e diversas associações já deram entrada a acções judiciais para bloquear a iniciativa do presidente Donald Trump de acabar com o direito à cidadania concedido a qualquer pessoa nascida nos Estados Unidos. Apesar de a 14.ª Emenda ter sido ratificada em 1868, o Congresso não autorizou a concessão da cidadania para todos os nativos americanos nascidos nos Estados Unidos até 1924. Foi em 1898 que o Supremo Tribunal dos EUA decidiu que Wong Kim Ark, nascido em São Francisco, filho de imigrantes chineses, era cidadão americano por ter nascido no país. Os defensores das restrições à imigração argumentam, no essencial, que ao contrário das crianças nascidas de pais que são ambos imigrantes legais, não é claro que a 14.ª Emenda se aplique a crianças nascidas de pais sem estatuto legal.
À margem de tudo isto, o que é certo é que esta quarta-feira a Câmara dos Representantes aprovou um projecto de lei que exige a detenção de imigrantes acusados de roubo e de crimes violentos, mas sem autorização de entrada e permanência nos Estados Unidos. Fica assim marcado o primeiro diploma legislativo que o Presidente Donald Trump vai poder assinar, uma vez que o Congresso rapidamente entrou em linha com planos presidenciais destinados a reprimir a imigração ilegal.
