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Opinião – Tiro de partida

06 de agosto de 2021 às 10 h57
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Todos os anos ansiamos pela hora de partir para uns dias de férias na pátria, em direcção ao Algarve, onde para Torga “a terra não hostiliza os pés, o mar não cansa os ouvidos, o frio não entorpece os membros, e os frutos são doces e sempre à altura da mão”. Afinal, onde ele dizia que se sentia “livre, aliviado e contente”. Convencidos por esta descrição, facilmente se percebe que o Algarve é o nosso destino de eleição para umas férias merecidas. O problema, há décadas, tem sido mesmo passar o Caldeirão.
As auto-estradas encurtaram a distância, mas os custos associados em portagens e combustível têm aumentado o peso nos ombros, cada vez mais difícil de carregar. Pondera-se então a alternativa ferroviária que, mesmo sem o planeamento da antecedência promocional, pode ficar muito mais barata. Ainda por cima, há agora uma nova esperança de optimizar o custo/benefício em recorrer ao comboio, pois a viagem pode ser em alta velocidade, um “dois em um”, uma autêntica auto-estrada ferroviária! Depois vai-se a ver, e para mal dos nossos pecados, nela não vamos poder embarcar a partir de Coimbra. Com sorte, teremos acesso por ramais, túneis ou viadutos.
Os dados do último Censos evidenciam que, por aqui, já nem deve haver quem se lembre da longínqua promessa de 2009, e nos tempos que correm, poucos hão-de dar importância à promessa do transporte com asas, que se revelou irracional e impossível de concretizar. Só podia ser coisa de ricos, portanto.
Caramba, eu quero é ir de férias. Sem avião ou comboio de alta velocidade, só me resta mesmo o carro. Confesso que fico com um peso na minha consciência ambientalista por ainda possuir um veículo poluidor, mas, sinceramente, não me estou a ver ir de bicicleta ou de eléctrico. Por um lado, convenhamos que arriscar-me-ia a passar os dias a pedalar ou a contemplar a paisagem. Por outro lado, sejamos honestos, não iria muito longe. Coimbra tem 20km de ciclovia (foi anunciado que, daqui a uns dias, esta mobilidade suave servirá também Montemor-o-Velho e Figueira da Foz); de eléctrico, não passaria de Miranda do Corvo ou Lousã. São excelentes destinos, com muito para oferecer a quem os visita, mas, neste momento, eu queria mesmo era seguir Torga para o Algarve!

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