Opinião: Pressa inimiga da perfeição
Ainda não há muito tempo ficou-me na memória alguém ter dito; “qual é a pressa”?
Esse mesmo alguém, António José Seguro referindo-se a António Costa, parece estar agora também ele cheio de pressa…injustificada!
É legítimo que alguém, mesmo um qualquer alguém, e António José Seguro não é um “qualquer alguém”, deseje ver o seu nome inscrito numa candidatura à Presidência da República Portuguesa.
Se até alguém diz que não vai ter saudades da função após o término do, ou dos mandatos, porque raio o há-de estar a anunciar com mais de um ano de antecedência? Se está agora tão arrependido do que fez, do que não fez, dos disparates que fez e do que deveria ter feito e não fez, e já não tem tempo para fazer, porque não aproveita a boleia da sua consciência e não vai já?
O discurso, a retórica muda em função da necessidade e oportunidade de cada um.
Agora, estão-se a dar os primeiros passos para “arranjar” candidatos credíveis para gerir as autarquias que vão a votos em Setembro de 2025. Para quê o afã de expor o umbigo?
Sabemos a dificuldade dos partidos tradicionais construírem uma escolha dos candidatos autárquicos.
Sabemos que a maneira mais fácil para ultrapassar um assunto difícil é fazer uma sondagem. Pois claro!
Na verdade, quando são rigorosas, as sondagens dão sempre valores aproximados. Claro que há os “patos bravos” que fazem sondagens para todos os gostos – quantas já não foram feitas e que todos nós conhecemos! – para agradar a pessoas ou a grupos. Há sondagens, até, que são encomendadas quando “nos” queremos ver livre de alguém!
No entanto, verdade seja dita, uma sondagem séria é um instrumento, uma mais-valia para escolher ou encontrar alguém qualificado para uma função. Resta saber, é se o qualificado para a função está disposto a arriscar vencer uma eleição e depois ver a sua vida devassada!
Aproximando-se a grande velocidade as eleições autárquicas, começaram as movimentações para venc-las e, quem sabe, arranjar sarna para se coçar!
Quando 2 ministros já não se entendem quanto a uma coisa tão simples, como saber qual o caminho a seguir para se descobrir algo ilegal numa autarquia, está tudo dito!
Há assuntos que devem ser tratados em recato. Já o tinha dito quando governantes do PS traziam para a praça pública o que deveria ser discutido até à exaustão entre paredes.
É um mau sinal para o comum cidadão, que deseja tranquilidade e confiança nas instituições.
Também por isso, a pressa é inimiga da perfeição.
