Opinião: O Grelo da Praxe de Coimbra
O Grelo da Praxe é uma Insígnia do Estudante de Coimbra, colocada no dia do Cortejo da Festa das Latas durante a Cerimónia de Imposição de Insígnias.
As Insígnias servem para demonstrar o mérito e sucesso académico do estudante, distinguindo-se do grau hierárquico da Praxe, que representa a experiência de vida académica. Dai, é possível ser-se Grelado ou Fitado várias vezes, quantas vezes se estiver inscrito em diferentes cursos e em condições de terminar estes. O Grelo usa-se desde a sua Imposição no inicio do ano, até à Queima do Grelo, no dia do Cortejo. As Fitas usam-se a partir do dia do Cortejo.
Nos finais da Primeira República chegou inclusivé a usar-se em Coimbra uma faixa cerimonial, importada das academias da Europa Central, que pendurava no ombro direito e ia até à anca com a cor da faculdade, e uma outra versão mais pequena, de um laço de fita que pendia do ombro até ao cotovelo.
As várias alterações à estrutura do ensino superior e o processo de Bolonha vieram afectar a praxe do uso das Insígnias, tendo o seu uso sido reformulado recentemente. Hoje em dia o Grelo e as Fitas são usados pelos estudantes que estão em condições de acabar o seu curso nesse ano (ou no ano seguinte, para cursos de “via larga”). O conjunto da Cartola e Bengala é usado pelos estudantes que estão em condições de terminar um curso de mestrado (2º ciclo).
O Grelo é uma fita de algodão que circunda à volta da pasta com a cor da Faculdade do estudante. No séc. XIX, antes da existência de pastas como hoje em dia, os estudantes faziam atilhos, ou “postilhas” com os seus apontamentos e sebentas. Juntavam os apontamentos todos entre duas talas de cartão e atavam com uma fita comprida enrolada em forma de cruz e com as pontas a fazer um laço. No Dia do Ponto, dia do último exame os estudantes quartanistas queimavam as fitas usadas para atar os seus apontamentos num gesto simbólico de despedida e de celebração da recém adquirida liberdade dos estudos.
Com a introdução do uso da pasta da praxe, e consequente substituição das postilhas, a antiga fita usada para prender os apontamentos perde o seu propósito. Os estudantes que não queriam ver-se excluídos do acto simbólico de queimar as fitas, adaptam então essa fita ao uso da pasta.
Em 1903 dá-se a Revolta do Grelo. O então Governo Civil decidiu aplicar um novo imposto de selo às vendedoras ambulantes do mercado D. Pedro V, que eram maioritariamente mulheres ℎortaliceiras. O imposto acabou por ser cobrado à força, mas a Revolta viria a dar início a uma relação de forte proximidade entre os estudantes e as hortaliceiras que desde então passaram a comprar as hortaliças exclusivamente a elas, como nabos e grelos para as Latadas. Devido à semelhança entre o nó da fita de algodão que era usada na pasta e a ramagem dos grelos, esta fita passou então a chamar-se de “Grelo”, distinguindo-se assim das Fitas das Pastas de Luxo.
Hoje em dia, o Grelo é colocado na pasta no dia da Imposição de Insígnias e usado até à Queima das Fitas, onde é incinerado. No Grelo pode-se escrever o dia em que se foi buscar, o dia da usa Imposição e um ponto de interrogação. Caso o Grelo se vá buscar em data antes da sua Imposição, este pode ser usado na lapela, em nó, a partir do dia do Cortejo da Queima das Fitas.

