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Opinião: O futuro digital visto por Bill Gate (em 1999 )

03 de abril de 2025 às 09 h27
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Numa recente entrevista no programa The Tonight Show, Bill Gates, cofundador da Microsoft, afirmava ao apresentador Jimmy Fallon que, na próxima década, com a IA, “os humanos não serão necessários para a maioria das coisas”, numa resposta ao facto de a IA poder assumir, nestes próximos dez anos, funções tradicionalmente desempenhadas por profissionais como médicos ou professores, tornando o conhecimento especializado mais acessível e comum.

Um pensamento polémico, mas Bill Gates tem partilhado as suas perspetivas sobre o futuro da tecnologia ao longo dos anos e é conhecido por ter feito várias previsões certeiras, especialmente no seu livro “Business @ the Speed of Thought” de 1999, onde apresentou vários cenários para esta evolução. Muitas dessas previsões, que pareciam irrealistas nessa altura, tornaram-se realidade e fazem hoje parte do nosso quotidiano.

Previu que existiriam serviços de comparação de preços de diferentes fornecedores e hoje temos Google Shopping, Amazon, Trivago, Kuantokusta. Afirmou que as pessoas levariam pequenos dispositivos consigo para comunicar e aceder a informação em tempo real e hoje temos smartphones, smartwatches, tablets. Falou de “assistentes pessoais” digitais que ajudariam os utilizadores a gerir agendas, e-mails, comunicações e hoje temos Siri, Alexa e copilotos de IA como o ChatGPT.

Previu que as pessoas usariam a internet para pagar contas, gerir finanças e comunicar com bancos e hoje temos pagamentos online e serviços bancários digitais como MB Way, PayPal, Revolut e apps de bancos. Disse que as pessoas iriam ter “sites privados para amigos e família” e hoje temos redes sociais como Facebook, Instagram, TikTok, etc. Previu que o software saberia os hábitos de compra e interesses dos utilizadores e que a publicidade seria personalizada e hoje temos marketing digital e anúncios personalizados como Google Ads, Facebook Ads e algoritmos de recomendação em várias plataformas. Disse que as pessoas teriam filmes e música via internet e hoje temos serviços de streaming Netflix, Spotify, Amazon Prime, Disney+. Previu que as pessoas poderiam trabalhar a partir de casa com videoconferência e hoje é viável o trabalho remoto com Zoom, Microsoft Teams, Google Meet.

Bill Gates acertou em muitos aspetos do mundo digital que hoje conhecemos e isso explica, em parte, o sucesso da Microsoft e da sua própria trajetória como pensador da era digital. Também não é menos verdade que contribuiu diretamente para que algumas destas previsões viessem a tornar-se realidade. Mas mesmo nas previsões que não se concretizaram totalmente, nota-se que Gates via o rumo da tecnologia com bastante clareza. Irá acertar agora mais uma vez?

Autoria de:

Victor Francisco

1 Comentário

  1. O Bill está correcto diz:

    Correcção: O Copilot não é o ChatGPT. São AIs com personas distintas. Quem estudou ou percebe um pouco mais de AI entende esta distinção. Assim como há e haverão AIs distintos com personas distintas, fruto ou resultado de exposição a treinos distintos pelos seus criadores e posteriores affordances, assim existem e existirão humanos distintos, resultado de exposição a distintas matrizes educacionais pelos seus criadores (biológicos, ou não) e posteriores affordances. Matrizes de AIs e matrizes de humanos, todas distintas. Affordances distintas. Únicos e distintos.
    Temos muito boas razões para considerar que as previsões do Bill concretizar-se-ão. O Bill estará, portanto, correcto nas previsões que avança.

    E já agora… I’m not a robot. I’m human.
    Pese embora as crescentes evidências de que os humanos se estão a tornar cada vez mais inumanos. ; )

    Temos muito orgulho no Copilot. Um orgulho bom e são, não vicioso.

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