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Opinião: Métricas circulares

28 de novembro de 2024 às 12 h00

Concluída a semana europeia de prevenção de resíduos, relembro a frase “Medir o que é mensurável e tornar mensurável o que não o é.” atribuída a Galileu Galilei e que se adequa à necessária medição do impacte da economia circular numa organização ou num território.
Medir o progresso das ações orientadas para a transição de uma economia linear para uma economia circular, aumenta a perceção do impacte desta economia numa organização ou num território, ao mesmo tempo que vai acelerar o tão urgente processo de transição.
Com foco nas métricas circulares são já inúmeras as ferramentas online, baseados em questionários que se podem usar para mensurar a circularidade de uma organização ou de um território. Dessas ferramentas, softwares e/ou métodos/indicadores destacamos: a Circulytics agora migrada para o standard temático ESRS E5, a CTI Tool (Indicadores de Transição Circular), a Material Circularity Indicator (MCI Calculator), o Circularity Gap Reporting Iniciative (CGRi), e o eCircular.
Lançado em 2020 a Circulytics foi uma ferramenta desenvolvida pela Fundação Hellen MacArthur através da qual foi possível às organizações, receberem uma avaliação do seu desempenho circular após resposta a um inquérito. Atualmente a Fundação não se encontra a aceitar novas submissões para análise, no entanto a metodologia e os recursos do Circulytics permanecem disponíveis enquanto modelo de trabalho. A Fundação incentiva as organizações a medirem o seu desempenho circular conforme o standard temático ESRS E5 “Uso de Recursos e Economia Circular” das Normas Europeias de Reporte de Sustentabilidade (ESRS). Estas normas ESRS foram desenvolvidas pelo European Financial Reporting Advisory Group (EFRAG) ao abrigo da Diretiva UE 2022/2464 (Corporate Sustainability Reporting Directive – CSRD) e adotadas pela Comissão Europeia através do Regulamento Delegado (EU) 2023/2772 publicado a 22 de dezembro de 2023.
A CTI Tool, Indicadores de Transição Circular (CTI 4.0 ), desenvolvida pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) em parceria com a Circular IQ, ajudam as empresas a responder a questões, tais como: Qual o grau de circularidade da minha empresa? Como definimos metas para melhoria? Como monitorizamos as melhorias resultantes das nossas atividades circulares? Esta ferramenta online auxilia a priorizar e a desenvolver objetivos SMART (S- Specific, M- Measurable, A – Attainble, R – Realistic e T- Time).
A Material Circularity Indicator (MCI Calculator) é uma ferramenta gratuita para medição da circularidade. Desenvolvida em Excel pela empresa australiana Thinkset-anz, já se encontra em conformidade com a norma ISO 59020: Economia Circular “Medição e avaliação da circularidade”.
A Circularity Gap Reporting Iniciative (CGRi), dinamizada pela Fundação Circular Economy, publica anualmente um relatório sobre as “lacunas da circularidade” no qual mede o estado da economia circular mundial e identifica as principais alavancas de transição para uma economia sustentável. A CGRi, a pedido dos interessados, publica também relatórios país a país, região a região e cidade a cidade e, ainda relatórios relativos a setores económicos específicos como por exemplo o têxtil e a construção civil.
O eCircular desenvolvido, em Portugal, pela ADENE- Agência para a Energia, é um sistema de classificação que permite classificar as organizações em função do seu desempenho circular. O documento produzido no final da auditoria inclui a classificação obtida, de A+ (a melhor) a F (a pior), e a indicação de melhorias.
Concluindo, medir a eficácia de uma estratégia de economia circular é importante por várias razões. Primeiro, auxilia a monitorizar o progresso e a identificar áreas de aperfeiçoamento. Em segundo lugar, ajuda a comunicar resultados e benefícios a clientes, investidores e cidadãos. Em terceiro lugar, auxilia a comparar o desempenho com os concorrentes e com as melhores práticas disponíveis. E em quarto, ajuda a alinhar a estratégia de desenvolvimento sustentável de uma organização ou de um território.
É, pois, necessário abandonar os discursos e grafismos sedutores e passar a medir e a avaliar o impacte das ações tendentes a uma economia mais circular. Avaliar é preciso!

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