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Opinião: Literacia circular

13 de junho às 10h59
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A minha experiência na temática da economia circular tem-me dado a observar que nem todos os que discursam sobre o tema ou trabalham na área ou em áreas conexas, têm o conhecimento técnico, tecnológico, científico e legal que este assunto impõe.
Observo, muitas vezes que há quem confunda economia circular somente com reciclagem e ela é bem mais do que isso.

A economia circular é também o repensar a forma como consumimos, o recusar e reduzir o consumo, o reparar, o reutilizar e o reintegrar materiais nos ciclos biológicos e técnicos, bem como é design circular e simbioses industriais, entre outros temas.
Não poucas vezes verifico que quem discursa ou trabalha na área da economia circular desconhece, por exemplo, a diferença entre resíduo urbano e não urbano; entre resíduo perigoso e não perigoso; as obrigações legais dos produtores de resíduos; o conteúdo e alcance da lista europeia de resíduos (códigos LER); as diferenças entre uma operação de valorização (R1 a R13 ) ou de eliminação (D1 a D15 ), a arquitetura nacional de licenciamento das atividades de tratamento de resíduos e dos sistemas de gestão de fluxos específicos, as formas legais de desclassificar um resíduo e como proceder à marcação CE de um material que incorpore resíduos desclassificados, entre outros tantos e tantos assuntos, que são saberes que importa deter para se conseguir alcançar a visão holística que o tema impõe.

Há, sem dúvida um fosso educacional e/ou formativo entre as competências em economia circular que muitos dirigentes, empresários e trabalhadores possuem e as que são necessárias para participar numa economia adaptada ao futuro e, portanto, circular.

Sobre esta matéria a Circle Economy, em parceria com a Goldshmeding Foundation publicou, em maio de 2021, o relatório “Closing the skills GAP: Vocational educacional & Training for the circular economy” onde identifica as carências educacionais e/ou formativas em economia circular, referindo que “sem uma atualização e requalificação adequadas, arriscamo-nos não só a deixar trabalhadores para trás, mas também a limitar a nossa capacidade de atingir os nossos objetivos ambientais.”
Este relatório vem confirmar que a educação e formação profissional é, mais uma vez, um mecanismo fundamental para garantir uma força de trabalho qualificada que possa prosperar na economia circular.

Identificada esta lacuna importa que o sistema nacional de educação e formação profissional se organize de forma a garantir que as várias temáticas relacionadas com a economia circular possam ser devidamente incorporadas quer nos conteúdos já lecionados ou a lecionar, quer em ações de formação ao longo da vida.

É, pois, necessário reforçar a literacia circular em todos os níveis de ensino e na formação ao longo da vida, não só para garantir uma economia mais circular, mas também para garantir cidadãos mais comprometidos com o tema e portanto mais circulares.

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