Opinião: Glasgow, o rumo do Titanic
No dealbar do século XX as viagens transatlânticas eram dominadas por duas companhias, a Cunard e a White Star Line. Estas companhias competiam no tamanho e número de passageiros que o navio podia transportar e na velocidade atingida. Nomes como Mauritânia, Lusitânia, Olympic e Titanic ficaram-nos no ouvido e na História. Mais rápido e maior tamanho eram o mote. O Titanic será, muito provavelmente, o mais famoso navio de passageiros de sempre.
Ora, o Titanic surge-me no pensamento sempre que ouço a expressão «estamos todos no mesmo barco». E, relativamente ao tema alterações climáticas, é realmente uma alegoria com bastante pertinência. Estamos no mesmo barco que, azar, é o Titanic. Será que lhe podemos mudar o destino conhecido?
Os interesses económicos orientavam, como é lógico, as duas companhias, o objectivo era lucrarem com o serviço prestado. Os recordes de velocidade, assim como o tamanho e o luxo, eram um factor preponderante nesta competição económica. É por isso que o capitão Edward John Smith manteve o Titanic num rumo mais a Norte, por ser mais curto e uma velocidade elevada, demasiado elevada atendendo aos riscos conhecidos. O objectivo é demonstrar a velocidade do novo navio. Isto apesar do conhecimento que o rumo tomado era área de presença de icebergues. E, ainda, dos avisos, muitos, de avistamento desses icebergues feitos por navios que tinham passado pela zona. Nada disso demoveu o capitão do Titanic, não mudou o rumo, não diminuiu a velocidade. O resultado é conhecido.
E estamos realmente todos no mesmo barco? Sim, mas com consequências diferentes. No Titanic estavam todos no mesmo barco mas basta olhar para a percentagem de mortalidade por classe para perceber que as consequências não são iguais para todos. No total o Titanic transportava 1300 passageiros, tendo sucumbido 63%. Dos 319 passageiros da primeira classe morreram 38%, dos 272 em segunda classe morreram 57% e dos 709 passageiros em terceira classe morreram 75%. Já agora, mesmo os da primeira classe que não buscaram botes salva-vidas tiveram direito a morrer bebendo champanhe e ouvindo a orquestra…
As consequências das alterações climáticas têm alguma semelhança com os números acima referidos. As nações e os povos não vão ser afectados de modo igual. Áreas que já sofrem com, por exemplo, a desertificação vão ser atingidas com muito maior violência. As economias mais capazes serão atingidas com menos impacto, para além de terem maior capacidade de aplacar esses impactos. Veja-se o que se passa com o programa de vacinação da COVID.
São os políticos reunidos em Glasgow que estabelecerão o rumo e velocidade deste nosso Titanic global. Irão diminuir a velocidade? Irão mudar o rumo? Têm motivação para tal? A motivação dos políticos, pelo menos numa democracia, depende imenso da motivação dos eleitores. É aí que cada um de nós pode colaborar na mudança do rumo. O icebergue está à nossa frente e todos sabemos.
Em Coimbra um conjunto de associações está a promover uma concentração na sexta-feira, COP26-COIMBRA, pelas 16:00 horas na Praça 8 de Maio. «A concentração tem como objetivo manifestar a nossa preocupação e o apoio relativamente às negociações que estão a decorrer na Conferência do Clima, COP26, em Glasgow. É intenção dos movimentos organizadores entregar uma missiva escrita com as nossas preocupações e propostas de atuação locais relativamente a esta problemática ao Senhor Presidente da Câmara Municipal (https://www.facebook.com/events/2005118739663854?ref=newsfeed).
Quer fazer algo pelo seu futuro? Participar não será uma má ideia…


O Sr. Mário Reis tem razão. Mas Sr. Mário Reis, ainda que as alterações climáticas e sua relação com emissões de CO2 sejam um problema real e dramático, ninguém parece estar muito interessado em discutir a relevância de diminuir a produção e o consumo de itens, a sobrepopulação, a reflorestação, a relação destas três variáveis e as emissões de CO2. Saberá também o Sr. Mário Reis que a tecnologia verde é solução que tem mãos salvíficas estreitas, e senão cabecinhas delirantes (ou de outra razão, móbil, mais psicopático) a comandá-las, as mãos, da energia verde, e que dificilmente resolverá os imbróglios causados pela sobrepopulação e pelo consumo excessivo dos glutões que sobrepovoam planetas verdes e superfícies de consumo físicas e virtuais.
O Sr. Mário Reis queira ter a gentileza de ligar a rádio numa das estações de eleição dos portugueses e contabilize a quantidade de publicidade apelando ao consumo. O toxicómano não é mais o do pó, ainda que faça jeito distinguir toxicómanos de primeira e toxicómanos de segunda.
A energia verde, enquanto caminho salvífico do maior glutão que se conhece, nas cabecinhas inocentes de intenções malignas, ou é matéria de excessiva ingenuidade ou de desconhecimento científico.
Para um posicionamento crítico queira o Sr. Mário Reis ter a gentileza de considerar os seguintes textos (se é que já não os conhece):
-Spillias et al., 2020 https://www.nature.com/articles/s41558-020-00939-…
-Liu et al., 2020 https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fenr…
Donde, o Império, o Sexto, o dos toxicómanos, glutões de itens parece ser o que se impõe:
“I'm enough
You want more
You want more
You want more
I'm enough
I want more
I want more
You want more
I'm enough
I want more
You want more
You want more
I'm enough
I want more
You want more
You want more
I'm enough
I want more
I want more
You want more (…)”.
O Império seguinte, poderá bem ser o Séptimo, o do Selo de Cada Um que vai aviado para a travessia anódina com o Barqueiro do Estige. 🙂
as preocupações são legítimas; não duvido do teor da mensagem nem das intenções do nosso tenente Rowan; oxalá me engane, mas este Calixto Garcia não parece que vá fazer qualquer diferença.
O Sr. Mário Reis tem razão. Mas Sr. Mário Reis, ainda que as alterações climáticas e sua relação com emissões de CO2 sejam um problema real e dramático, ninguém parece estar muito interessado em discutir a relevância de diminuir a produção e o consumo de itens, a sobrepopulação, a reflorestação, a relação destas três variáveis e as emissões de CO2. Saberá também o Sr. Mário Reis que a tecnologia verde é solução que tem mãos salvíficas estreitas, e senão cabecinhas delirantes (ou de outra razão, móbil, mais psicopático) a comandá-las, as mãos, da energia verde, e que dificilmente resolverá os imbróglios causados pela sobrepopulação e pelo consumo excessivo dos glutões que sobrepovoam planetas verdes e superfícies de consumo físicas e virtuais.
O Sr. Mário Reis queira ter a gentileza de ligar a rádio numa das estações de eleição dos portugueses e contabilize a quantidade de publicidade apelando ao consumo. O toxicómano não é mais o do pó, ainda que faça jeito distinguir toxicómanos de primeira e toxicómanos de segunda.
A energia verde, enquanto caminho salvífico do maior glutão que se conhece, nas cabecinhas inocentes de intenções malignas, ou é matéria de excessiva ingenuidade ou de desconhecimento científico.
Para um posicionamento crítico queira o Sr. Mário Reis ter a gentileza de considerar os seguintes textos (se é que já não os conhece):
-Spillias et al., 2020 https://www.nature.com/articles/s41558-020-00939-…
-Liu et al., 2020 https://www.frontiersin.org/articles/10.3389/fenr…
Donde, o Império, o Sexto, o dos toxicómanos, glutões de itens parece ser o que se impõe:
“I'm enough
You want more
You want more
You want more
I'm enough
I want more
I want more
You want more
I'm enough
I want more
You want more
You want more
I'm enough
I want more
You want more
You want more
I'm enough
I want more
I want more
You want more (…)”.
O Império seguinte, poderá bem ser o Sétimo, o do Selo de Cada Um que vai aviado para a travessia anódina com o Barqueiro do Estige. 🙂
Sr. Lourenço, obrigado pela intervenção.
Devo declarar já que não conhecia os artigos que gentilmente refere. Vou lê-los, sem dúvida.
Realmente a questão que não se quer abordar prende-se com o consumo, e, inerentemente com alteração ao modo de vida. Como diz, não há soluções salvíficas, por mais verdes que as pintem.
Andámos a viver acima das possibilidades das condições ambientais que nos suportam…
O nosso modo de vida actual está já condenado. Ou o mudamos nós e adaptamos às possibilidades, ou as alterações se encarregarão disso. Nossa é, apenas, a escolha.