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Opinião: De periudus praxisticus

08 de janeiro de 2025 às 11 h21

Deu início, à escassos dias, mais uma época de exames na Universidade de Coimbra. Grande parte da vida Académica é regida à volta dos exames, e a própria Praxe Académica assim o espelha, através dos Períodos da Praxe. Muitos Estudantes e Futricas assumem que um “período da Praxe” se resume à mera época de “caça” ao animal asinino, mas isso é tão diminutório como reduzir a Quaresma a um espaço temporal em que não se come carne.

Assim, a Praxe define períodos temporais de liturgia Académica que vêm no seguimento dos costumes e vivências que marcavam o ano lectivo dos Estudantes…mais em concreto, ao nível da sua propensidade à frequência de aulas.

In Illo Tempore (Séc. XIX), o ano lectivo era definido como “um espaço de tempo enormíssimo, compreendido entre o primeiro e último dia de aulas (Outubro a Junho)” e era dividido em três períodos que seguiam a cronoestratigrafia geológica dos estratos rochosos, mas aplicado às aulas:

O ano lectivo começava com o período “Cabuláceo”, onde os Estudantes, recentemente chegados da aldeia à urbe (maioritariamente através de burrico ou comboio atracado numa estação recém-obituada) se apresentavam fortes e potentes perante Minerva, frequentando assiduamente as tascas e manjares da Baixa, nunca falhando o five-o-clock-wine.

Desdobram-se em cumprimentos, passeios e excursões e cumprem religiosamente o Dia do Cavaco (primeiro dia de aulas, onde não são dadas aulas algumas) assim como as mais rígidas praxes aos Caloiros. As aulas deixam-nas aos Ursos e esquivam-se dos Foguetes dos lentes com Farpas e, lá está, cábulas.

Após as Férias do Natal inicia-se então o período do “Algunstudáceo”. Aqui é a época do Entrudo, e com o retomar das celebrações civis e religiosas, o Estudante aproveita o sol de Inverno para cortejar Tricanas e escaramuçar com Futricas. No entanto, ao longe vai-se levantando um espectro terrível que escalpeliza a existência da Academia: Os primeiros actos em Março (provas obrigatórias na altura) impunham alguma cautela e dedicação à Sebenta.

Por fim, aproximando-se Maio, inicia-se o período do “Muitoestudáceo”. É a época brava do Caloiro, que se envigora na alma e nos discursos de elogios aos Doutores em expectativa da sua emancipação no dia 27 de Maio (Cortejo). Aos mais velhos é cobrada a dívida de conhecimento, paga com chumbo da Raposa ou a três érres. Os endividados hibernam nas bibliotecas e até aproveitam o óleo do Candeeiro da rua para esticar a duração da sua devoção à letra escrita.
Os que sobrevivem são celebrados com foguetório e Farraparia enquanto que aos restantes cabe o mesmo destino do estudante António Cabral que, tendo reprovado, enviou o seguinte telegrama ao pai: “Professores, entusiasmados, pedem repetição.”

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