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Opinião: Círculo virtuoso da atratividade

22 de abril de 2025 às 10 h58
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Pensar os territórios e as suas estratégias de desenvolvimento é fundamental para o crescimento conjunto de qualquer país.
O conjunto destas estratégias aplicadas a cada região é o que torna a força motriz do crescimento económico e melhoria das condições de vida de cada país uma realidade palpável. Cada região é única e singular nas suas características, e os líderes que conduzem a implementação das políticas nesses territórios, em articulação com os governos centrais, deverão ter em conta as especificidades e potencialidades de cada zona geográfica por forma a otimizar e rentabilizar todos os recursos disponíveis, com o intuito de trazer riqueza e valor de forma sustentável para o território.
Apesar de Portugal estar já hoje dividido em regiões CIM e canalizando para as CCDR uma parte importante de gestão de fundos, as estratégias integradas de valorização e crescimento dos territórios ainda não contemplam os municípios de forma completamente autónoma.
Também pela dimensão de Portugal, o estado central ainda exerce hoje uma influência bastante grande nos médios e grandes investimentos em cada região, município ou conjunto de municípios com interesses comuns.
Olhando para países como a França, a Espanha ou Alemanha percebemos que a gestão dos fundos por parte das regiões é feita de forma quase autónoma em relação às prioridades delineadas pelos seus líderes regionais e pelos seus parlamentos regionais.
Neste contexto e colocando o assunto da regionalização como tema nacional, e saindo fora do controlo dos municípios e da sua ação, compete-lhes encontrar e trabalhar em estratégias de promoção de captação de investimento, alianças e protocolos de cooperação na área da diplomacia das cidades e das regiões.
É importante que os concelhos se posicionem em áreas que julguem ser aquelas que são mais importantes para os seus próprios interesses. Qualquer concelho em Portugal compete hoje na área da captação e atração de investimento com qualquer região dentro da União Europeia.
Não podemos igualmente colocar de parte a competitividade Intra territorial, ou seja, também dentro de Portugal, os concelhos competem entre si em áreas de interesse comum. Nesta matéria, é importante encontrar pontos de complementaridade e de cooperação também dentro do próprio país, por forma a aumentar os ganhos de escala em processos de captação de investimento externo.
As geminações já não são hoje em muitos países da União Europeia aquilo que as regiões mais procuram. As que já existem são e devem obviamente ser dinamizadas, mas são hoje os protocolos de cooperação com “timings” em ciclos definidos e métricas mensuráveis que ocupam o seu lugar. Estes protocolos entre cidades e regiões de várias dimensões são alvo de avaliação no final do seu ciclo e ambas as partes têm uma palavra a dizer na avaliação dos resultados.
Numa primeira fase e com o objetivo de materializar de forma mais eficaz estes protocolos pode-se privilegiar os territórios dentro da União Europeia, sendo numa segunda fase de avaliar parcerias fora da União Europeia que contribuam de facto e de forma objetiva para o crescimento socioeconómico dessa região.
A criação de relações bilaterais entre territórios não se pode esgotar em ações administrativas, ou “apenas” para realização de candidaturas conjuntas a fundos europeus. Devem ter uma estratégia alargada, apresentada aos munícipes, por forma a que todos conheçam e reconheçam o caminho que se pretende fazer.
Esse é um trabalho demorado e que tem que ter diversos pontos em consideração. Na área económica, empresarial, cultural, social e política por forma a poder ser realizada uma integração na sua totalidade.
Um território que decida que as suas áreas estratégicas para o crescimento económico são por exemplo a biotecnologia e a área farmacêutica, deve sobretudo procurar territórios onde estas áreas tenham uma forte expressão.
Outro território que entenda que as suas prioridades são a indústria aeronáutica e do espaço deverá procurar sinergias com regiões onde essas indústrias estejam num estado avançado de desenvolvimento. A par destes entendimentos deve igualmente perceber os “players” que possui nas regiões limítrofes, ou no próprio país para poder desenvolver ganhos de escala.
Uma visão de captação de investimento para os territórios e nomeadamente para os concelhos permite um desenvolvimento altamente acelerado, o aumento de postos de trabalho, o aumento de produto económico, a criação de inúmeros empregos indiretos e aumenta a taxa de fixação da população.
A fixação de população mais jovem é hoje um dos principais temas a tratar por grande parte dos territórios em Portugal, e isso só se consegue através da criação de riqueza Intra territórios e pelo seu crescimento orgânico.
Este parâmetro, aliado a estratégias de sustentabilidade intergeracional, tornam o território altamente atrativo, podendo o ponto alto do sucesso desta estratégia, denominar-se “circulo virtuoso da atratividade”.
Para que seja possível estruturar e implementar esta estratégia devem os territórios e municípios munirem-se de gente dedicada e especializada, para através dessa via poder realizar de forma o mais fidedigna possível aquilo que é pensado pelos líderes políticos e proposto e validado nos diferentes parlamentos, assembleias ou reuniões de definição de prioridades para a região.
Temos hoje vários exemplos por toda a União Europeia de agências regionais ou locais de atratividade e ou de captação de investimento que realizam este trabalho de forma coordenada com o poder político e altamente profissionalizada, por forma a obter resultados de alto nível.

Autoria de:

Vítor Oliveira

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