Coimbra

Exposição dá início a parceria entre município e Fundação Vieira da Silva

17 de junho de 2026 às 17 h54
Fotografia: DR

A exposição “Pares Ímpares I”, que é inaugurada na quinta-feira, é a primeira que nasce da parceria entre município de Coimbra e a Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva, propondo-se a estabelecer encontros entre obras e artistas.

O percurso expositivo no Centro de Arte Contemporânea de Coimbra (CACC) propõe-se a aproximar, aos pares, obras e artistas, e, com isso, descortinar e fomentar pequenas histórias, reflexões e narrativas, em ligações nem sempre evidentes, afirmou à agência Lusa o curador da exposição, Nuno Faria.

Nesta primeira exposição fruto da parceria firmada recentemente entre a Câmara de Coimbra e a fundação estarão 35 pares de obras, provenientes das coleções da autarquia, Arpad Szenes – Vieira da Silva, Coleção de Arte Contemporânea do Estado e de duas coleções privadas sediadas em Coimbra (Coleção de Eduardo Rosa e Coleção de Isabel e Carlos Mimoso).

 

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A ideia de pares e ímpares orienta todo o percurso expositivo, em que são colocadas lado a lado obras de dois artistas, desafiando a um “trabalho de aproximação e relação entre obras”.

Nesse exercício de montagem, procura-se também “ampliar as possibilidades de mediação”, com os pares de obras a potenciarem “pequenas narrativas”, disse.

Como exemplo, apontou para uma obra de Aurélia de Sousa ao lado de uma de Maria Helena Vieira da Silva, numa ligação que reflete sobre vocação, de duas pintoras que nasceram no mesmo dia (13 de junho, dia de Santo António) e que tiveram de se afirmar num mundo predominantemente masculino, contou Nuno Faria.

Em cada par é desdobrada uma narrativa, que permite “ampliar a história da arte e modos de narrar a partir da história da arte”, numa exposição com um espetro de artistas “muito amplo”, parte deles “muito esquecidos”.

“Podem-se ter diferentes linhas de mediação e de discurso”, acrescentou.

Na exposição “Pares Ímpares I”, há alguns artistas repetidos, nomeadamente Vieira da Silva (com várias “obras surpreendentes”), mas há, sobretudo, “diversidade e multiplicidade, que tem sido posta em causa”, num mundo onde há “medo do diverso e medo do outro”, notou.

Questionado sobre a relação entre as coleções da Fundação e do Município e do Estado, Nuno Faria disse entender este novo ciclo curatorial numa perspetiva de “complementaridade”.

“A mim, cabe-me esse equilíbrio entre coleções”, disse, referindo que esta nova fase de programação não esquece o trabalho feito para trás por Maçãs de Carvalho, antigo curador do CACC, referindo que há uma continuidade no tom e no modo de fazer.

A exposição estará patente até 20 de setembro e terá continuidade num próximo ciclo expositivo, intitulado “Pares Ímpares II”.

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