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Opinião: Caderno de encargos do novo Governo na saúde

04 de junho de 2025 às 09 h22
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Agora que vamos iniciar nova Legislatura por força dos acontecimentos políticos recentes continuamos a ter alguns problemas na área da saúde apesar das medidas tomadas pelo anterior Governo.
Não se conseguiu ainda os objetivos pretendidos, no entanto este novo Governo dispõe à partida de algumas condições mais favoráveis para tomar decisões.
Terá de encarar a necessidade urgente de algumas medidas para os problemas mais dramáticos do SNS e da saúde em Portugal.
Desde logo a necessidade de garantir médico de família a todos os cidadãos que vivem em Portugal, problema que teve uma melhoria significativa pois que como sabemos apesar do aumento do número de cidadãos sem médico de família conseguiu-se dar cobertura a um maior número de pessoas, dado o aumento significativo da população, essencialmente à custa da imigração.
Está a decorrer a admissão de novos médicos a curto prazo que irão mitigar um bocadinho este problema, no entanto continua a haver uma carência significativa de médicos em especial na área medicina geral e familiar, mas também nas outras especialidades.
O Governo terá de prosseguir algumas das políticas já iniciadas com vista a garantir que os novos médicos dão a preferência ao serviço público e para isso será necessário ouvir as estruturas representativas e perceber algumas alterações que permitam atrair de forma significativa médicos para o SNS.
O outro grande problema na área do SNS é a o acesso às consultas de especialidade hospitalares e a recuperação das listas de espera quer na área cirúrgica quer na área oncológica.
É dramático verificar que apesar das medidas implementadas ainda não se conseguiu obter a satisfação das necessidades nestas duas áreas.
O novo Governo terá, portanto, de procurar identificar onde é que estão os problemas e procurar soluções que não sejam apenas despejar dinheiro para cima do problema.
Está visto que não é apenas um problema de bom pagamento, mas também a necessidade de organização adequada dos serviços de maneira que se elimine muitos bloqueios existentes na estrutura do SNS que redundam por fim no adiamento de muitas cirurgias e tratamentos oncológicos.
Diria que o terceiro grande problema será os serviços de urgência.
Em boa verdade muitos dos problemas destes serviços necessitam antes de mais de uma gestão adequada das solicitações, promovendo a formação em saúde das populações e organizando respostas mais adequadas a nível dos serviços primários de saúde.
Longe vai o tempo em que todos queriam ter um serviço de urgência 24 horas por dia, em cada um dos concelhos deste país.
Tal não é possível, acarretando grandes prejuízos dado a sua ineficácia a portanto a necessidade de organizar uma rede adequada de cuidados de proximidade que dê a resposta em tempo útil a situações mais urgentes.
Portanto diria que estes são os três problemas mais urgentes a encarar pelo Governo e que necessitam de uma atenção prioritária com vista a conseguir uma melhor organização dos serviços do SNS e uma valorização adequada de todos os profissionais que nele trabalham de forma a garantir eficácia no atendimento às necessidades da população, não esquecendo que apesar de tudo continuamos a ter muitos serviços de excelência no SNS.

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