Opinião: Bom 2025
O ano da graça de 2024 está a chegar ao fim, para não desfazer dos outros é um ano pleno de contradições já tradicionais. A velha luta entre o que sabemos dever fazer e o que na realidade optamos por fazer, porque o que sabemos ter de ser feito dá mais trabalho. Este ano foi o mais quente de que há registo, um recorde que vem a ser batido com mais regularidade do que o Serguei Bubka quebrava o do salto à vara.
O ano começou com uma revolta dos agricultores europeus, cortes de estradas, tractores nas cidades. Uns protestos mais violentos, outros mais pacíficos. Qual a causa do protesto? Custos, preços e… medidas ambientais… Pois, a UE, Conselho, Parlamento e Comissão, resolveram introduzir algumas condicionantes na Política Agrícola Comum e orientá-la em parte para a adptação às alterações climáticas. Medidas tímidas, diga-se, mas passos na direcção certa, curtos mas orientados.
E foi o descalabro, com os governos e UE a voltarem atrás e arrepiarem caminho, claro.
Este ano de 2024 foi também o ano que viu três activistas «pró-clima» (diga-se assim para facilitar) condenados a um ano de prisão substituído por multas de 780 e 600 euros por terem cortado uma avenida em Lisboa, a avenida de Berna… Neste caso a PSP retirou-os à força (além de uns quantos condutores terem ajudado a «molhar a sopa» nestes insolentes criminosos) e identificou-os… e o ministério público acusou-os e um tribunal condenou-os, Ah, nada como a justiça ser bem servida.
Ah, ser forte com os fracos dá tanto prazer a alguns…
No Verão foram publicados os resultados de um inquérito, 99% dos portugueses apoiam medidas de combate às alterações climáticas e 66% consideram uma questão prioritária… desde que não atrapalhe, diria…
O ano termina com um Dezembro pleno de sol e uma conferência do Clima plena de declarações fortes e medidas pífias, tudo como dantes, Quartel General em Abrantes.
E Coimbra? Coimbra tem a sua Portagem como epítome, uma paisagem de Donetsk ou Gaza com dois anjinhos a tocar corneta… Deve ser das poucas (não vou correr o risco de dizer a única, há sempre exemplos algures) cidades em que um projecto estruturante de mobilidade leva à desarborização, à diminuição de sombra, à redução de espaços pedonais, promovendo a manutenção de todas as faixas de tráfego rodoviário, a todo o momento em todo o lado…
Gostava que este texto terminasse com banda sonora adequada, se quiserem colaborar vão ao youtube e escrevam: acordai fernando lopes graça.
Bom 2025
