Opinião: A Serenata Monumental da Queima das Fitas de 2025
Decorreu na passada quinta-feira, e com sucesso, a Serenata Monumental da Queima das Fitas de 2025. O ano passado a Serenata regressou à Sé Velha através dum grande esforço e manifestação por parte do Conselho de Veteranos e da Secção de Fado, o que terminou o processo do convencimento forçado das autoridades públicas de que é perfeitamente viável a realização do evento naquele espaço.
O Plano de Segurança para a Serenata Monumental de 2025, elaborado por mim próprio, foi finalmente aprovado, mas não sem o seu litro (bem cheio) de polémica. É caso para esclarecer: Ninguém na Academia decidiu de livre vontade limitar a lotação ao evento. Foi um passo necessário para que se reestabeleça a confiança das autoridades em que os Estudantes conseguem organizar a Serenata naquele local com as condições de segurança necessárias. Relembro, contra as várias línguas desinformadas, que esta decisão partiu dos Estudantes, quando, em Assembleia magna de auscultação no ano passado (a maior desde há mais de uma década), foi aprovado com mais de 90% de votos favoráveis a manutenção do evento na Sé Velha com controlo de entradas.
É facto empírico que nunca lá houve, em nenhuma das edições anteriores, acidentes graves que colocassem em causa o evento ou as pessoas. No entanto, tal não se pode considerar imutável, visto que tanto a Lei de Murphy como a Lei probabilística dos Números Grandes indicam que eventualmente algo de mau irá acontecer. É nosso dever garantir que, quando tal aconteça, estejam salvaguardadas as condições máximas para que o ónus do desastre seja colocado, não na própria Serenata ou local, mas sim na causalidade estocástica do evento.
Inobstante tudo ter corrido bem sobre este novo molde, não foi perfeito. Muitos moradores e estabelecimentos foram sujeitos a uma dose não saudável de ansiedade, os pinos de trânsito, sujeito cómico sem piada desta trama, acabaram por ter que ser removidos e muitos credos foram rezados pela equipa distribuidora de pulseiras, nos vários quilómetros feitos d’acima abaixo pelo ínfame Quebra-Costas para que nada se quebrasse.
No final, acabámos por ser tramados por um adversário ainda mais indomável do que a geografia incómoda do Largo da Sé: A falta de pontualidade crónica do Estudante levou a que, à hora obrigatória para o fecho das entradas, a lotação não perfizesse os três quartos do máximo permitido deixando um grande vazio por preencher no coração da Sé. Para o ano, no mesmo local e à mesma hora, seremos mais!
