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Opinião: A propósito do 31º aniversário do Diário As Beiras

04 de abril de 2025 às 10 h09
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O jornal “Diário As Beiras” acaba de realizar o seu 31º Aniversário com uma Gala no Convento de S. Francisco, onde, já uma tradição, distingue figuras que marcam a Região Centro: personalidades, instituições ou empresas. Entendo ser este acontecimento um gesto não só de uma grande elevação e nobreza, como de divulgar e enaltecer, porquanto poderá mostrar que Portugal não é apenas Lisboa, como muitos noticiários às vezes parecem querer fazer parecer (notícias mais corriqueiras, personalidades mais vulgares, factos irrelevantes, são propagandeados dias seguidos desde que tal ocorra em Lisboa…), mas que há muitos outros acontecimentos e, esses sim, importantes, que acontecem sem que metade da população portuguesa o saiba por falta de divulgação.
Não posso, por isso, deixar de felicitar o director do jornal Diário As Beiras, Dr. Agostinho Franklim, pela forma, a simplicidade, a isenção na escolha diversificada de tais figuras que faz dentro da Região Centro. Uma diversificação de escolhas sem as centralizar nas mesmas localidades ou nos mesmos temas. Uma diversificação de escolhas em que se salientam os valores humanistas, sociais, empresariais, culturais que enobrecem a nossa Região Centro e que, esses sim, os media (o jornalismo, as redes sociais ou o que se quiser dizer) deveriam divulgar por todo o nosso País que, repito, não é só Lisboa. Parabéns, Dr. Agostinho Franklim.
Parabenizando desde já todos os galardoados, queria referir-me a dois prémios que traduzem bem aquilo que Marco Aurélio disse (cito): “Teremos na vida aquilo que os nossos pensamentos fizerem da nossa vida”: o prémio Turismo Calcário de Ançã e o Prémio Tributo Carreira.
O Prémio Turismo Calcário de Ançã – Pedra Património Mundial da UNESCO desde Abril de 2024, que muita da população portuguesa desconhece, a começar por muita da população da Região Centro, que consagra a importância geológica, paleontológica e cultural da História da Pedra de Ançã (e aqui, a sua utilização em milhares de igrejas e outros monumentos, abundantemente na arquitetura e estatuária renascentista e barroca de Coimbra). Foi uma homenagem prestada a todos os habitantes de Ançã, mas também à professora e investigadora Helena Henriques, directora do Centro de Geociências do Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra, que terá coordenado aquela candidatura à UNESCO. (Permita-se-me aqui uma confissão: tendo sido minha aluna no Departamento de Química, e após a alegria de nos reencontrarmos, e termo-nos reconhecido mutuamente ao fim de tantos anos, foi com orgulho que a vi subir ao palco… e, depois, a felicitei por assim ter enriquecido a Região Centro!…).
Finalmente, e com grande carinho de proximidade à Família Canha, queria manifestar-me sobre o Prémio Tributo Carreira: Norberto Canha, cirurgião ortopedista e Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Medicina de Coimbra foi um Homem que escolheu sempre momentos para aproveitar a vida com sabedoria e arte, mas também com aventura ousada, momentos, uns e outros, que viveu sempre intensamente, em dádiva total. Foi ímpar em Coimbra e no País. Abordava as questões com paixão e, mesmo nem sempre esperando o momento perfeito, ultrapassava as dificuldades porque possuía um carácter de ferro. A sua fortaleza era um castelo de humanidade e nesse castelo abrigava seres que não marcava nem pela política nem pela religião.
Para além das relações de enorme amizade que mantive com ele, tive o grande privilégio de, apesar de ser química, ter trabalhado profissionalmente com Ele. E, também por isso, posso afirmar que Norberto Canha era um Homem com letra grande. Um Homem que merece nunca ser esquecido nesta cidade.

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