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Opinião: A liberdade condicionada e a armadilha da dependência

05 de maio de 2025 às 08 h47
3 comentário(s)

Em Portugal, 61% da população tem os seus rendimentos parcial ou totalmente assegurados pelo Estado, segundo dados do Instituto Mais Liberdade. Este número impressionante, revela não apenas uma forte presença do Estado na vida económica das pessoas, mas também uma crescente dependência que torna o tecido social extremamente frágil. Sem os apoios públicos, a taxa de pobreza poderia ultrapassar os 40%, o que mostra o quão estrutural é esta situação.

A política social, que deveria ser um instrumento de transição para a autonomia, transformou-se num mecanismo de estagnação, perpetuando a fragilidade económica de milhões.

Perante esta realidade, importa questionar: serão verdadeiramente livres as pessoas que vivem sob esta dependência estrutural? Pode uma democracia amadurecer quando os seus cidadãos são mantidos numa condição de permanente necessidade do Estado? Estas são questões desconfortáveis, mas necessárias. Cinquenta e um anos após o 25 de Abril, é legítimo perguntar se a liberdade proclamada se traduziu, de facto, em autonomia individual e económica. Ou será que a promessa de liberdade se transformou numa liberdade condicionada, onde o voto e a opinião são moldados pelo receio de perder apoios essenciais à sobrevivência? Somos de facto uma nação livre de cidadãos livres?

No atual contexto eleitoral, a paisagem política reflete este impasse. Há partidos que propõem tirar aos ricos para dar aos pobres, como se a redistribuição fosse uma fonte inesgotável. Outros falam em distribuir a parca riqueza que alcançámos sem explicar de onde ela virá. Apenas dois partidos esboçam, com dificuldade, ideias sobre como criar mais riqueza, como mobilizar o país para produzir mais, gerar valor e crescer de forma sustentável. Esta falta de visão estratégica não é nova — há 30 anos que Portugal vive mergulhado numa agonia lenta, marcada pela estagnação económica e pela perda de esperança coletiva. Insistir em políticas que apenas gerem dependência é insistir no empobrecimento do país. As mesmas políticas produzirão sempre os mesmos (maus) resultados.

Romper este círculo vicioso, nada virtuoso, exige coragem política para apostar na criação de riqueza, no mérito e nos agentes económicos capazes de a gerar. Portugal não precisa de mais medidas paliativas: precisa de um plano consistente que liberte as pessoas da dependência e lhes devolva a dignidade através do trabalho, da inovação e da iniciativa. Só assim poderemos, de facto, falar em desenvolvimento e em liberdade real. A luta pela nossa liberdade exige de nós um grito de alerta, um sobressalto cívico, uma manifestação clara de rutura.

Infelizmente, o clima político e mediático afasta cada vez mais os melhores da vida pública. A recente perseguição quase obsessiva a uma empresa ligada a um político, num escrutínio que ignora a presunção de inocência e os limites da razoabilidade, envia uma mensagem clara: quem ousar ter sucesso na vida real será penalizado. Com isso, apenas os funcionários dos aparelhos partidários permanecerão na arena política, não por vocação, mas por sobrevivência. O resultado será uma classe política cada vez mais fraca, menos preparada e mais dependente das máquinas que a sustentam. O futuro, assim, não se mostra auspicioso. Voltando às palavras premonitórias de Cavaco: a má moeda expulsou definitivamente a boa moeda. Um país que transforma a dependência em virtude e afasta quem ousa criar riqueza está a escolher, todos os dias, ser mais pobre e menos livre.

Autoria de:

Arnaldo Coelho

3 Comentários

  1. Ze da Gandara diz:

    O nosso ilustre escriba de serviço, no seu estilo terraplanista que tanto o tem vindo caracterizar (falar mal de tudo e de todos por falar, qualquer um, contra mim falando comigo à cabeça, é capaz de fazer; o que já é mais posh (e simultaneamente bem mais difícil) é conseguir fazer algo de diferente e dar o exemplo pela virtude e pela positividade, algo que até à data ainda não vi no nosso escriba, que de tão douto e tão culto e cultivado, até estranho que ainda não tenha construído um laboratório de nanotecnologia e começado a produzir semi-condutores de última geração que os Estados Unidos não nos querem vender, na sua garagem para alavancar a transformação digital que aí vem com a ascensão mediática da IA, à la Bill Gates), continua, qual Dom Quixote, a combater moinhos de vento…

    E desta vez inspirou-se nos nossos ilustres membros do PIL (Partido Iniciativa Liberal) e num número cozinhado sabe-se lá como e com que critério (embora seja notório um certo fim de confundir as coisas) para vir aqui anunciar a nossa chegada colectiva a um Kolhoz e Sovkhoz… Só faltou anunciar a formação de Sovietes..

    Sem dar especial relevo aos considerandos do nosso escriba a partir do momento em que cita de forma avulsa um número e o aceita replicar à la bot de uma botnet sem aferir o porquê desse número (não adianta estar a gastar cera com ruim defunto), questiono o nosso douto escriba acerca da validade desse valor percentual de dependentes do Estadinho e dos motivos que o justificam, em virtude de se ter apropriado desse número nos seus escritos. Quererá o douto escriba aferir e confirmar da validade da cifra?

    Sôdôtôr, existe de facto muita dependência do Estado (nesse contexto, por ironia do destino, o Sôdôtôr, se ainda não reparou, é mais um dos que do Estadinho depende) e nesse âmbito sou o primeiro a referir que existem funcionários públicos a mais em muitas áreas da administração pública central e na generalidade da administração pública local. Já noutras áreas fulcrais (olhe, por exemplo, na administração fiscal devem seguramente faltar recursos porque considerando a evasão fiscal como desporto nacional, não se vêem acções inspectivas no terreno a repor justiça contributiva, acabando sempre os mesmos otários de sempre a serem esbulhados enquanto quem faz da evasão fiscal desporto se enche à tripa forra, sendo até socialmente bem visto por assim fazer) assim não é… Come-se em uvas, não se bebe em vinho…

    Para chegar à cifra dos 60% que não especifica se se refere a 60% da população no activo ou à totalidade da população (que são coisas muito diferentes, num país onde o sistema de previdência público é ainda de adesão obrigatória, com uma população envelhecida decorrente da baixa natalidade e na emigração em massa dos mais jovens e mais qualificados que se recusam a ser explorados aqui por mentecaptos a quem não apetece trabalhar, até é normal que haja uma grande percentagem de dependentes do estado por via dos reformados, o que não é a meu ver propriamente grave, na medida em que são a franja da população que já não produz por não estar no activo)… Descontando a % de reformados na população (se os 60% os incluírem) e a % de trabalhadores da administração pública e sector empresarial do Estado (deixando de parte a pertinência da existência de tantos funcionários públicos e equiparados), o que fica, na opinião do Sôdôtôr?

    Será que confundiu transferências sociais com salários? É que as medidas como o RSI (que nos moldes em que é atribuído conforme previsto na lei, é de questionável justiça) não me parece que justifiquem a horda de dependentes do Estado expressa na cifra que o Sôdôtôr perfilhou. Já pensou nisso, Sôdôtôr? Replicar o que se diz por aí não sei bem onde pode até ser pernicioso… Já agora… Se um seu aluno atirar como atoarda para o ar uma cifra numa obra académica em que o Sôdôtôr intervenha como júri aquando da defesa dessa obra, este seu aluno ao referir a atoarda assim sem mais nem menos merece a sua aprovação?

  2. Laodiceia Amorim Weersma diz:

    Um reflexão muito pertinente e com doses realísticas para se chegar a solução a situação econômica de Portugal e, se ampliada para visão híbrida de transição seria, talvez, inda mais ponderada.

  3. M.Conceição Henriques diz:

    O último parágrafo traduz mesmo aquilo que deve ser seguido. Valorizar quem cria riqueza é a melhor forma
    de conseguir reduzir a pobreza, aumentando a melhoria das condições de vida das pessoas rumo à sua maior independência autonomia e liberdade.

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